Moção do PS "pela proteção efetiva das Lojas com História de Lisboa" foi votada por pontos, tendo a maioria sido aprovada com os votos contra do PSD e a abstenção de IL, CDS-PP e Chega.
A Assembleia Municipal de Lisboa decidiu esta quinta-feira, por proposta do PS, instar a Assembleia da República e o Governo a alterarem a lei das lojas históricas, por estar a chegar ao fim a proteção legal dos contratos de arrendamento.
A moção do PS "pela proteção efetiva das Lojas com História de Lisboa" foi votada por pontos, tendo a maioria sido aprovada com os votos contra do PSD e a abstenção de IL, CDS-PP e Chega.
Um dos pontos é para instar a Assembleia da República e o Governo a reverem a lei de 2017, que estabelece o regime de reconhecimento e proteção de estabelecimentos de interesse histórico e cultural ou social local, no sentido de "tornar permanente a proteção do arrendamento", bem como "acautelar a continuidade da atividade comercial e não apenas do património edificado".
Por isso, a Assembleia Municipal aprovou recomendar ao executivo camarário, liderado por PSD/CDS-PP/IL, que "assuma, perante o Governo e a Assembleia da República, a defesa intransigente de tornar permanente, ou prorrogar significativamente para além de 31 de dezembro de 2027, a proteção dos contratos de arrendamento das lojas históricas, eliminando a sua atual natureza transitória".
Na apresentação da moção, o deputado do PS Nuno Saraiva lembrou que o executivo socialista na Câmara de Lisboa criou há 10 anos o programa Lojas com História para distinguir estabelecimentos que fazem parte da memória coletiva da cidade, ressalvando que, no entanto, essa classificação "não consegue impedir" que sofram o impacto das operações imobiliárias ou da pressão turística.
"Continuamos a atribuir distinções a estabelecimentos históricos enquanto alguns deles recebem notificações de despejo", apontou o socialista, dando como exemplos a Ginjinha Sem Rival, sob ameaça de encerramento, e da sapataria A Deusa, que encerrou em 2022.
Reforçando que "faltam menos de 19 meses" para terminar a proteção legal dos contratos de arrendamento das lojas históricas, o deputado do PS disse que há "um silêncio preocupante" porque "não existe uma proposta legislativa conhecida [...], existe apenas a certeza de que o prazo se aproxima".
"Proteger verdadeiramente as Lojas com História significa proteger muito mais do que estabelecimentos comerciais, significa proteger a memória de Lisboa contra a lógica da substituição permanente, significa afirmar que nem tudo tem preço e significa compreender que uma cidade que abdica da sua identidade acaba inevitavelmente por abdicar de si própria", declarou Nuno Saraiva.
Também o eleito do Livre João Monteiro realçou que "a distinção Lojas com História não impede encerramentos" e adiantou que o problema é sobretudo da lei nacional, "que não protege".
Pelo PSD, Jorge Barata recusou que haja inação por parte da Câmara de Lisboa, referindo que a própria moção do PS reconhece que o executivo municipal está a trabalhar na revisão do regulamento das Lojas com História e na articulação institucional necessária para defender este património junto das entidades competentes.
"A Câmara Municipal deve continuar a ser uma voz ativa na defesa destes estabelecimentos, mas não pode substituir-se ao legislador nacional", afirmou o social-democrata.
Já a bancada da IL, representada por Pedro Bugarin, defendeu a preservação e valorização das lojas históricas, "na medida do possível", sublinhando que "o mercado é a única fórmula capaz de manter estes estabelecimentos abertos".
"Por mais bondosas que sejam as leis que os políticos decidam decretar, se as pessoas não consumirem nessas lojas, não há lei que as salve", advertiu o deputado da IL, questionando o PS sobre qual "o limite desse protecionismo".
"A não ser que o PS pretenda que, no limite, se nacionalizem estes negócios e estas empresas, não há outra sustentabilidade que aquela oferecida pelos consumidores, que decidem ou não consumir nessas lojas", frisou.
Em resposta, Nuno Saraiva disse que o limite do PS é "a proteção da memória, do património e da história", e considerou que a política pode e deve interferir para regular o mercado.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.