Questionado sobre a gestão do executivo da sua condição minoritária no Parlamento, Fabian Figueiredo defendeu que "o Governo precisa de um banho de humildade".
O deputado único do BE acusou o executivo de governar para "uma pequena clique de privilegiados" e afirmou que o primeiro-ministro precisa de "um banho de humildade" por agir "como se tivesse maioria absoluta".
Em declarações à Lusa em antecipação do debate do estado da Nação da próxima quinta-feira, no Parlamento, Fabian Figueiredo defendeu que a governação do país se resume a "desigualdade e incompetência", acusando o Governo de "governar muito bem para uma pequena clique de privilegiados e muito mal para o comum dos portugueses".
"Os lucros da banca batem recordes, o preço da habitação bate recordes e os salários batem no teto", afirmou, considerando que Portugal é hoje um país mais desigual, onde aumenta simultaneamente o número de milionários e as dificuldades para pagar a casa, os alimentos e as despesas com os filhos.
Segundo o bloquista, o Governo baixou impostos à banca, à grande distribuição, às elétricas e às petrolíferas, mas não exigiu contributos adicionais às empresas que beneficiaram do aumento dos preços da energia, dos combustíveis e dos alimentos.
Questionado sobre a gestão do executivo da sua condição minoritária no Parlamento, Fabian Figueiredo defendeu que "o Governo precisa de um banho de humildade".
"O senhor primeiro-ministro governa como se tivesse maioria absoluta. Não tem. Os portugueses não lhe quiseram dar maioria absoluta, portanto, deve dialogar e, sobretudo, deve-se concentrar nos problemas que existem, em vez de inventar problemas que não existem para arranjar soluções para problemas que não existem", criticou.
O deputado bloquista pediu ao Governo que "opte pelo diálogo em vez do conflito", acrescentando que isso trará estabilidade ao executivo por trazer estabilidade à vida dos portugueses.
"Se o Governo se concentrar em resolver os problemas dos portugueses, em vez de aumentar os problemas que os portugueses têm, há estabilidade no país, porque há estabilidade social, porque há estabilidade no salário, na casa, no controlo do custo de vida", defendeu.
Fabian Figueiredo acusou ainda o executivo de ter arrastado o país para "meses de conflito social" devido a uma revisão da lei laboral "que ninguém pediu" e deixou críticas às sucessivas medidas do executivo para a habitação que têm contribuído, argumentou, para a subida dos preços e a venda de património público que poderia ser destinado a habitação a custos controlados.
Perante os incêndios, as ondas de calor e os problemas na educação, em particular com a classificação dos exames, o bloquista considerou ainda que "era bom que o senhor primeiro-ministro passasse mais alguns dias em Portugal".
Na próxima sessão legislativa, adiantou Fabian Figueiredo, o BE terá como uma das prioridades a comissão parlamentar de inquérito que propôs aos problemas na classificação dos exames nacionais, apelando a todos os partidos para que viabilizem a iniciativa.
O partido pretende também apresentar novas propostas para a habitação e rever a legislação laboral, adaptando-a a fenómenos climáticos extremos, reforçando a contratação coletiva, aumentando salários e respondendo aos desafios da inteligência artificial.
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