António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu esta quinta-feira aos 83 anos.
A Câmara de Lisboa decretou esta quinta-feira um dia de luto municipal pela morte do escritor António Lobo Antunes, que será cumprido no sábado, com a consequente colocação da bandeira do município a meia haste em todos os edifícios municipais.
O luto municipal junta-se ao dia de luto nacional, decretado pelo Governo, também para sábado, em homenagem a António Lobo Antunes, "um dos maiores escritores de língua portuguesa e da literatura contemporânea", realçou a Câmara de Lisboa, em comunicado, manifestando o "mais profundo pesar" pela sua morte.
Também a Junta de Freguesia de Benfica, onde o escritor vivia, decretou três dias de luto local em memória de António Lobo Antunes, apresentando "as mais sentidas condolências à família, aos amigos e aos inúmeros leitores e admiradores do escritor, associando-se ao luto de todos quantos reconhecem na sua vida e na sua obra um património maior da cultura portuguesa".
"António Lobo Antunes deixa-nos hoje, mas permanecerá para sempre presente na memória coletiva de Benfica, na cultura portuguesa e em todos aqueles que continuarão a encontrar na sua obra um testemunho profundo do nosso tempo", afirmou a Junta de Freguesia, presidida por Ricardo Marques (PS), destacando diversas homenagens públicas ao escritor, inclusive no Passeio Ulmeiro, na Avenida do Uruguai, bem como no mural localizado na Estrada das Garridas, junto ao Palácio Baldaya.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu esta quinta-feira aos 83 anos.
Numa mensagem de condolências, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), disse ter sido um privilégio viver no tempo de António Lobo Antunes, considerando que o escritor faz parte da rara aristocracia da literatura mundial.
"Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior intérprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país", afirmou o autarca.
Carlos Moedas referiu ainda que "Lobo Antunes faz hoje parte da rara aristocracia da literatura mundial, onde estão os grandes mestres".
"Hoje só podemos dizer, com orgulho, que fomos a cidade e a pátria de António Lobo Antunes", expôs.
Numa nota divulgada no seu 'site', a Câmara Municipal de Lisboa (CML) lamentou a morte do escritor e informou que vai ser inaugurada "em breve" a Biblioteca de Benfica - António Lobo Antunes, na Avenida Gomes Pereira, que será a 19.ª biblioteca municipal da cidade, com 20 mil títulos do espólio literário que o escritor doou à cidade.
"Corresponde a um desejo meu deixar ao país os meus papéis, os meus livros, as minhas condecorações, e nada melhor que deixá-los à câmara da cidade onde nasci e onde me sinto bem", afirmou Lobo Antunes, conforme lembrou a CML na mesma nota.
A nova biblioteca vai ter também uma área multiúsos com uma galeria, bem como o Espaço António Lobo Antunes, "reforçando a importância do seu pensamento e obra literária na divulgação da língua portuguesa, em Portugal e no estrangeiro", adiantou a autarquia.
Em setembro de 2022, o presidente da Câmara de Lisboa anunciou que a futura biblioteca municipal de Benfica deveria abrir ao público em 2024, mas, passado mais de um ano, ainda se aguarda a inauguração deste novo espaço cultural na cidade.
"É muito importante que, durante o ano de 2024, nós possamos estar aqui para inaugurar a biblioteca", afirmou Carlos Moedas em setembro de 2022, na apresentação do projeto.
Nessa ocasião, o autarca enalteceu o "orgulho imenso" de Lisboa ser a "nova casa" do espólio de Lobo Antunes, que "é muito mais do que Portugal", já que em cidades como Nova Iorque, Paris e Londres é considerado como "o maior do mundo".
A agência Lusa questionou esta quinta-feira a Câmara de Lisboa sobre o atraso na inauguração da Biblioteca de Benfica - António Lobo Antunes, tendo a autarquia informado que a empreitada se encontra a decorrer, "estimando-se que fique concluída no final do primeiro semestre/início do segundo semestre do presente ano".
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1969 e especializou-se em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
A República Portuguesa condecorou o autor do "Memória de Elefante" com a grã-cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de "Commandeur" da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.
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