Líder socialista acusou o Governo de estar "sem rumo" e de não ouvir o PS.
O líder socialista, José Luís Carneiro, acusou esta terça-feira o Governo de estar "sem rumo" e de não ouvir o PS, mas assegurou ao Presidente da República a "vontade inquebrantável de colocar o interesse do país acima dos interesses partidários".
"O Governo, infelizmente, teima em não ouvir o Partido Socialista, mas não poderíamos deixar de transmitir ao senhor Presidente da República a nossa vontade inquebrantável de colocar o interesse do país acima dos interesses partidários e de servir as portuguesas e os portugueses", afirmou, em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PS depois de uma audiência, a seu pedido, com o António José Seguro, no Palácio de Belém, em Lisboa.
Na perspetiva de José Luís Carneiro, a reunião com o Presidente da República foi "muito construtiva".
"O quadro da vida internacional é um quadro complexo e muito exigente no plano geopolítico e no plano geoestratégico. É também muito exigente do ponto de vista económico e olhamos para o Governo do país como um Governo sem rumo, em que verdadeiramente cada ministério parece por vezes um Governo e, em alguns casos, até um certo desgoverno", acusou.
Depois de manifestar preocupação com esta situação, o líder socialista mostrou a disponibilidade do PS "para servir as portuguesas e os portugueses".
"Reiteramos, mais uma vez, a nossa disponibilidade para cooperarmos nas áreas vitais à vida nacional. Em primeiro lugar, as áreas da defesa e da segurança, as áreas da proteção civil e também os nossos contributos para o desenvolvimento económico e social", disse.
Carneiro manifestou preocupação com os indicadores económicos "que mostram que a economia do país está a desacelerar" e tem mesmo "vários motores do seu crescimento que apresentam sinais graves".
"A envergadura das medidas e políticas que são necessárias para responder, como ocorre com a resposta às tempestades na região centro do país e em todo o país, as respostas que ainda tardam dos incêndios passados, as respostas em relação ao custo de vida que está a afetar a vida das famílias", disse ainda, recordando as propostas apresentadas pelo PS para reduzir os custos de vida.
Questionado sobre a lei da nacionalidade e a possibilidade de o PS pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização, Carneiro respondeu: "É um assunto que está em apreciação no grupo parlamentar e haverá decisão oportuna, no momento adequado, sobre uma das dimensões da Lei da Nacionalidade".
No dia 01 de abril, o vice-presidente da bancada do PS, Pedro Delgado Alves, disse que o partido iria avaliar se pediria ao Tribunal Constitucional a fiscalização das alterações ao Código Penal que preveem como pena acessória a perda da nacionalidade, uma decisão independente daquela que fosse tomada pelo Presidente da República.
Questionado sobre as alterações à lei laboral, o líder do PS referiu que aquilo em que se focou o diálogo com o chefe de Estado foram "as dificuldades de vida que os portugueses estão a passar", nomeadamente a habitação, a saúde e os salários.
"Essas foram as preocupações que foram o objeto deste diálogo e para as quais nós temos soluções, temos propostas e não deixaremos de continuar a apresentá-las na Assembleia da República", enfatizou.
Perante a insistência dos jornalistas, Carneiro apontou que "é importante que essa dimensão" seja "tratada em sede de Concertação Social".
"O centro da gravidade das políticas do Governo é responder ao aumento do custo de vida, tomando medidas como aquelas que nós propusemos, para reduzir os custos dos combustíveis, da eletricidade, do gás e os custos com a produção agroalimentar", apelou.
José Luís Carneiro foi esta terça-feira recebido por António José Seguro na sequência do 25.º Congresso Nacional do PS, numa audiência que durou cerca de uma hora e no qual esteve acompanhado pelo presidente do PS, Carlos César.
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