Ventura considerou que o anterior primeiro-ministro "foi desmentido diretamente pelas escutas que foram apresentadas".
Os presidentes do Chega e da Iniciativa Liberal consideraram esta terça-feira que o ex-primeiro-ministro António Costa mentiu nas declarações que proferiu no âmbito do processo Influencer, o BE criticou a divulgação de escutas e o PS não comentou.
Na segunda-feira, a TVI/CNN divulgou uma escuta referente a uma conversa entre António Costa e o advogado Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus na véspera do Natal de 2022 - empreendimento em Sines que esteve na origem da demissão do anterior primeiro-ministro soicalista em novembro de 2023.
Essa escuta, segundo a TVI/CNN, contraria a versão que foi apresentada em novembro de 2023 por António Costa, segundo a qual "nunca, em circunstância alguma" falou sobre o assunto Start Campus com Diogo Lacerda Machado, que era consultor desse projeto.
No parlamento, o presidente do Chega considerou que o anterior primeiro-ministro "foi desmentido diretamente pelas escutas que foram apresentadas", o que constitui "uma coisa gravíssima".
"António Costa já não é primeiro-ministro português, mas tem responsabilidades [como presidente] no Conselho Europeu", apontou.
André Ventura considerou que parece haver "uma certa inércia ou areia na engrenagem para que as coisas não andem", mas "António Costa e o PS têm que ser chamados à responsabilidade" e dar explicações, já que, na sua perspetiva, "houve uma mentira clara à opinião pública".
O líder do Chega mostrou-se também preocupado com notícias que referem que há crimes de corrupção de José Sócrates, no âmbito da Operação Marquês, em risco de prescreverem.
"A prescrição de um dos maiores casos de roubo e de desvio de dinheiro do nosso país nas últimas décadas mostra a ineficácia do nosso sistema de justiça, a inoperância da nossa capacidade de prevenir a corrupção e de julgar a corrupção em Portugal e é uma mancha de vergonha sobre o país inteiro", sustentou.
André Ventura disse depois ter dado instruções aos serviços do Chega para, "se necessário e dentro das possibilidades", verificar que instituições privadas, partidárias ou associações "podem juntar-se a qualquer título como assistentes", ou outras formas, ao processo Marquês, visando "fazer avançar este processo".
A líder da IL, Mariana Leitão, considerou que as escutas provam que, afinal, ao contrário do que antes afirmara, António Costa falou com o seu amigo Diogo Lacerda Machado sobre esse projeto.
"Foram oito anos de muita propaganda, vamos-lhe chamar mentiras aos portugueses, juntamente com a extrema-esquerda, com quem fez o Governo e, portanto, essa parte não me surpreende", acrescentou.
Para Mariana Leitão, "é importante neste momento é que o atual Governo não repita os erros do Governo anterior de António Costa".
Interrogado pelos jornalistas sobre esta questão, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, escusou-se a responder, alegando que "esse não é o tema hoje".
"E, para ser sincero, não acompanhei com detalhe esse tema. E, por isso, não lhe consigo responder", declarou. Também o PCP, pelo deputado Alfredo Maia, recusou-se a fazer comentários, alegando que esse tema "está como está, ainda muito verde".
"O PCP não conhece, não está em condições de comentar minimamente", justificou.
O deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo, fez questão de criticar politicamente o facto de António Costa ter escolhido Vítor Escária para ser seu chefe de gabinete, assim como as atividades do advogado Diogo Lacerda Machado.
Mas, independentemente do visado de ser ou não ser adversário político, Fabian Figueiredo insurgiu-se contra a publicação de escutas.
"As escutas são uma forma intrusiva de obtenção de prova, não se devem generalizar, mas têm-se generalizado. Acho que o ex-primeiro-ministro nunca criou a barreira necessária entre a amizade e a direção política em relação a Lacerda Machado, mas, independentemente, de ser um adversário político, ou um aliado, pertenço a um grupo de democratas que não gosta de ver escutas publicadas na comunicação social", salientou.
Pela parte do Livre, a deputada Patrícia Gonçalves afirmou: "Não comentamos investigações que estão em curso. Queremos é que estes casos se resolvam o mais rapidamente possível e no sítio certo, que é pela justiça e pelos tribunais", acrescentou.
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