Partido advertiu que Luís Neves deve alterar o paradigma "cor-de-rosa" que defendeu sobre a criminalidade em Portugal.
O Chega prometeu este sábado escrutínio político "implacável" ao novo ministro da Administração Interna, vai chamá-lo em breve ao parlamento e advertiu que Luís Neves deve alterar o paradigma "cor-de-rosa" que defendeu sobre a criminalidade em Portugal.
Estas posições foram transmitidas pelo antigo ministro Rui Gomes da Silva, na qualidade de membro do "Governo sombra" do Chega, em conferência de imprensa, na sede nacional deste partido.
Na reação ao anúncio de Luís Neves, até agora diretor nacional da PJ, como novo ministro da Administração Interna, em substituição de Maria Lúcia Amaral, Rui Gomes da Silva advertiu que o Chega irá fazer "um escrutínio político implacável" e que a bancada deste partido vai chamá-lo em breve ao parlamento.
O Chega quer saber se Luís Neves continua com a “realidade cor-de-rosa” segundo a qual não se regista qualquer aumento da criminalidade grave em Portugal, designadamente da criminalidade relacionada com o fenómeno da imigração.
Tendo ao seu lado dos deputados Marta Silva e Pedro Frazão, Rui Gomes da Silva considerou que, “após uma série de erros graves do Governo, há finalmente um nome” para a pasta da Administração Interna.
Perante os jornalistas, o antigo ministro social-democrata escusou-se a classificar se Luís Neves é ou não uma boa escolha do primeiro-ministro, Luís Montenegro, mas apontou que o nome vem da área da justiça e avisou que o trabalho que tem para trás, designadamente como diretor nacional da PJ, não conta agora para as novas funções de ministro.
“O novo ministro da Administração Interna vai ter muitos dossiês para resolver, que vão exigir muito trabalho - um trabalho que não foi desenvolvido nem tratado pelos últimos responsáveis da pasta da Administração Interna. Nas forças de segurança, há o problema das carreiras”, apontou.
Rui Gomes da Silva assinalou, depois, a questão do comando unificado dos bombeiros e o “desafio da reorganização da Proteção Civil”.
“São questões têm de ser solucionadas pelo novo titular da pasta da Administração Interna. Sabemos que o novo responsável vem da área da Justiça, mas tem a obrigação de responder à urgência que a resolução desses problemas impõe”, acentuou.
A seguir, Rui Gomes da Silva lembrou afirmações proferidas por Luís Neves sobre o fenómeno da criminalidade em Portugal.
“Disse que a criminalidade não estava a aumentar, quando nós sabemos - e é facilmente comparável quando analisamos os números - que os crimes sexuais, a violência, os crimes graves, os crimes com violência, os crimes relacionados com a imigração são realidades que existem. Não são perceções, muito menos são invenções do Chega, mas aí o antigo diretor da Polícia Judiciária veio várias vezes a terreiro dizer que era tudo perceções. Não são perceções, são realidades”, contrapôs o membro do Governo sombra do Chega.
No ano passado, numa audição na Assembleia da República, Luís Neves negou existir uma relação entre crime e imigração, afirmando que a criminalidade violenta é mais baixa entre imigrantes do que entre nacionais e atacou as "fake news" que tentam criar pânico em Portugal.
Rui Gomes da Silva deixou um apelo: “Que o novo titular do Ministério da Administração Interna não se fique pelas perceções, não se fique pela construção de ideias cor-de-rosa que não têm qualquer correspondência com a realidade”.
Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária desde 2018, licenciado em Direito, ingressou na PJ em 1995, após uma breve passagem pela advocacia.
Na PJ, Luís Neves esteve sempre ligado à investigação criminal, em particular na esfera do crime violento e organizado, terrorismo e todas as formas de extremismo violento, rapto, sequestro, tomada de reféns, assalto à mão armada, tráfico de armas, tráfico de seres humanos, crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos e crimes contra órgãos de soberania.
Antes, foi diretor da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) e da extinta Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).
Luís Neves vai substituir Maria Lúcia Amaral, ex-Provedora de Justiça, que se demitiu das funções de ministra da Administração Interna no passado dia 10.
Segundo a nota então divulgada, Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o pedido de demissão de Maria Lúcia Amaral, “que entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, de forma transitória, passou a desempenhar as competências da pasta da Administração Interna, numa conjuntura em que o território continental nacional foi atingido por uma vaga de tempestades.
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