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Comissão de inquérito sobre "Operação Influencer" proposta pelo Chega rejeitada no Parlamento por ampla maioria

Proposta de inquérito parlamentar ao caso que motivou a demissão do antigo primeiro-ministro António Costa em novembro de 2024 apenas teve o voto favorável do Chega e as abstenções do PCP, CDS, PAN e JPP.

03 de junho de 2026 às 20:14

PSD, PS, Livre e Bloco de Esquerda chumbaram esta quarta-feira a proposta de inquérito parlamentar apresentada pelo Chega sobre a eventual responsabilidade de membros do último Governo socialista em relação aos factos investigados no âmbito da operação Influencer.

A proposta de inquérito parlamentar ao caso que motivou a demissão do antigo primeiro-ministro António Costa em novembro de 2024 apenas teve o voto favorável do Chega e as abstenções do PCP, CDS, PAN e JPP.

Na terça-feira, durante o debate no Parlamento, o presidente do Chega, André Ventura, considerou que o último Governo liderado por António Costa "não caiu por acaso", mas "no âmbito de uma operação judicial que varreu o país e que visava precisamente descobrir, detetar, identificar um polvo de corrupção e de influência no mais alto lugar da administração pública".

O presidente do Chega referiu também que António Costa "mentiu ao país" recentemente sobre este caso e defendeu que isso justifica um inquérito parlamentar.

Por sua vez, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, afirmou que "a extrema-direita usa a corrupção para degradar as instituições" e para "atacar os seus adversários".

O líder parlamentar socialista apontou também que o Governo do PS "duplicou o orçamento da PJ no combate à corrupção, colocou como prioridade central o combate à corrupção na política criminal, desenvolveu a estratégia nacional anticorrupção até 2024 e foi criado o mecanismo anticorrupção".

Pela parte do PSD, a deputada Bárbara Amaral Correia defendeu que uma comissão de inquérito "não contribuirá" para o apuramento da verdade neste caso, correndo antes o risco de "perturbar uma investigação em curso e de transformar um processo judicial num instrumento de confronto político e mediático".

Numa linha diferente, Rui Rocha, ex-presidente da Iniciativa Liberal, declarou que "nenhum partido tem sido menos imune à corrupção do que o PS" e considerou que "é a própria cultura do PS que promove esse resultado".

Pelo CDS-PP, o deputado João Almeida defendeu que o parlamento possa "apurar mais do que aquilo que eventualmente a Justiça conseguiu apurar e possa apurar diferente, designadamente apurar no campo político aquilo que na Justiça não se poderá apurar".

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