Candidato liberal diz que, mesmo nas suas ideias para a saúde, não "passou pela cabeça que não houvesse uma única rede de emergência e que ela não fosse pública".
O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo considerou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) não pode falhar porque as suas falhas têm consequências, que podem resultar na morte de pessoas, como aconteceu na terça-feira.
"A única rede de emergência médica não pode falhar porque essas falhas e esses atrasos têm consequências, neste caso, uma morte", afirmou o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, depois de questionado sobre a morte de um utente, na terça-feira no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM.
Depois de uma visita a Pedrógão Grande, nomeadamente ao Memorial às Vítimas Mortais dos incêndios de 2017, o eurodeputado lembrou que o INEM é um serviço "absolutamente essencial" do Estado que mais ninguém pode prestar.
"Mesmo naquilo que são as minhas ideias para a saúde, nunca me passou pela cabeça que não houvesse uma única rede de emergência e que ela não fosse pública", assinalou.
O antigo líder da IL referiu que, neste caso, as falhas do INEM resultaram numa morte, mas noutras situações essas podem ter deixado sequelas permanentes nos utentes.
"É mais uma morte, já tínhamos tido outra na sequência das greves de 2024, aliás há hoje audições no parlamento com o presidente do INEM exatamente sobre esse tema, para se perceber o que é que tem que ser feito para que isto não volte a acontecer", frisou.
Segundo Cotrim Figueiredo, a ironia trágica é que foi constituída uma comissão técnica independente, em março de 2025, tendo o relatório sido entregue há poucas semanas ao Governo que prevê uma mudança estrutural no INEM.
"Ficamos agora sem saber se teria essa mudança estrutural evitado aquilo que ocorreu", vincou.
Lamentando a morte do utente e endereçando as condolências à família, o candidato entendeu que as responsabilidades que são do Estado "não podem ficar ao sabor de mais ou menos diligências de um funcionário, mais ou menos competências de um técnico e mais ou menos vontades de resolver de um político".
"Têm que ser preocupações prioritárias permanentes", considerou.
Cotrim Figueiredo espera que mortes destas na saúde não se repitam, tal como não se repitam as dos incêndios.
O INEM abriu uma auditoria à chamada recebida na terça-feira do utente do Seixal que morreu depois de ter estado três horas à espera de socorro, anunciou esta quarta-feira o presidente do instituto.
"Esse primeiro passo foi determinado e essa auditoria à chamada está a ser feita", disse Luís Cabral, em declarações aos jornalistas no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa.
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