Parlamentares não ficaram "tranquilos" com declarações da secretária-geral do Sistema de Segurança Interna.
Deputados de várias forças políticas, da esquerda e direita parlamentar, manifestam-se apreensivos com falhas de coordenação entre entidades do sistema de segurança interna, sobretudo em matéria de partilha de informação para a prevenção de ataques terroristas.
Na quinta-feira, em sede de Comissão de Assuntos Constitucionais, na sequência de um pedido do Bloco de Esquerda, aprovado por unanimidade, foi ouvida à porta fechada, com caráter de urgência, a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), Patrícia Barão.
Os deputados quiseram ouvir Patrícia Barão sobre como atuaram as entidades de segurança nacional desde a investigação até à captura dos principais membros do Movimento Armilar Armado (MAL), grupo neonazi, que planeava atacar o primeiro-ministro, Luís Montenegro, além de outros titulares de órgãos de soberania, figuras políticas ou de relevo social.
No fim da audição, porém, deputados de várias forças políticas ouvidas pela agência Lusa concluíram que não estavam completamente esclarecidos, nem tranquilos, com as respostas dadas pela secretária-geral da SSI, a quem cabe coordenar as diferentes entidades na área da segurança.
Em primeiro lugar, terá sido identificado um problema de coordenação entre os diferentes serviços, designadamente ao nível da partilha da informação entre o Ministério Público e a Polícia Judiciária com o Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).
Ou seja, confirmou-se o que uma fonte oficial das "secretas" transmitiu ao Público e Expresso que esta investigação não foi analisada na Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT). E a UCAT é órgão que reúne representantes de polícias, militares e serviços de informações para coordenar a partilha de dados contra ameaças terroristas.
Segundo fontes parlamentares, durante a audição, Patrícia Barão foi questionada sobre a circunstância de o próprio corpo de segurança do primeiro-ministro não ter sido informado sobre as ameaças contra o chefe do Governo. E a secretária-geral do SSI terá respondido que o corpo de segurança não tinha obrigatoriamente de ser avisado, o que deixou alguns deputados perplexos.
Outro aspeto controverso, de acordo com as mesmas fontes, relacionou-se com o "protocolo de avaliação de risco", processo destinado a identificar perigo de ataques terroristas e definir medidas preventivas.
No caso concreto do MAL, os planos de ataque deste grupo da extrema-direita armada a políticos e outras figuras apenas terão sido descobertos após terem sido apreendidos os telemóveis de alguns dos seus membros. Isto significa, segundo vários deputados, que o trabalho de monitorização deste grupo não foi completo.
Entre os deputados, dúvidas levantam-se ainda em relação à atual tese policial de que este grupo MAL estará atualmente muito enfraquecido, ou quase desmantelado, na sequência da detenção dos principais membros.
Para a nova sessão legislativa, que se inicia em setembro, vários partidos estão agora a ponderar se requerem novas audições no Parlamento sobre o funcionamento da UCAT. Desta vez com responsáveis de outras entidades de segurança, já que se considera urgente a existência de uma muito maior coordenação dentro do sistema.
Sobre este processo, no passado dia 19, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que a investigação só teve conhecimento da lista de alvos identificados pelo grupo neonazi MAL numa fase adiantada do processo.
"A investigação só teve conhecimento da lista de pessoas e entidades coletivas que os membros do MAL identificavam como alvos ou ameaças num estado avançado do processo, no decurso da muito extensa e morosa análise de oito 'terabytes' de prova digital apreendida aos arguidos", adiantou a PGR numa resposta à Lusa.
Segundo a PGR, nesse momento, tendo em conta a prisão preventiva dos principais arguidos, "não se verificava nenhuma situação de perigo em concreto para nenhuma das entidades".
A ministra da Justiça, por sua vez, disse já ter tido conversas com Ministério Público e PJ, estando a ser feita "uma reflexão" sobre as críticas deixadas pelo primeiro-ministro por não sido informado das ameaças da extrema-direita. E o ministro da Administração Interna, Luís Neves, ex-diretor da PJ, defendeu que não houve falha de coordenação na informação entre polícias e secretas na investigação ao grupo de extrema-direita que ameaçou o primeiro-ministro, mas admitiu que nem tudo foi transmitido.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.