Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas justificam a decisão com divergências com a estrutura regional do partido.
Os dois vereadores eleitos pelo Chega à Câmara Municipal do Funchal, na Madeira, vão passar a exercer o seu mandato como independentes, confirmaram esta quarta-feira os próprios, justificando a decisão com divergências com a estrutura regional do partido.
Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas já tinham admitido recentemente a possibilidade de passarem a vereadores independentes, depois de o presidente do Chega/Madeira, Miguel Castro, lhes ter imposto uma assessora.
O Diário de Notícias da Madeira avançou na edição desta quarta-feira que Jorge Afonso Freitas comunicou a desfiliação do Chega e a sua passagem a vereador independente na Câmara Municipal do Funchal.
Em declarações à agência Lusa, o autarca confirmou esta decisão, indicando que solicitou, na terça-feira, a cessação imediata da militância do partido liderado por André Ventura.
Jorge Afonso Freitas disse que o presidente do Chega/Madeira, Miguel Castro, já tinha retirado a confiança aos vereadores da Câmara do Funchal em declarações recentes à comunicação social, tendo os dois eleitos ponderado passar a independentes.
A direção nacional do partido garantiu, depois, que "estava tudo sanado" e que tinham "todas as condições para continuar a trabalhar", apontou o vereador, acrescentando, porém, que o Chega regional não adotou a mesma postura e, recentemente, terá colocado em causa as competências do seu colega Luís Filipe Santos, apontando incompatibilidades no exercício do cargo de vereador com o de inspetor da Autoridade Regional das Atividades Económicas (ARAE).
"O que se passou foi muito grave, o próprio Chega/Madeira fez um parecer contra um outro par do Chega/Madeira, algo que me afetou e não me deixa confortável", declarou.
Depois desta decisão, também o vereador Luís Filipe Santos, que encabeçou a lista do Chega à Câmara do Funchal nas autárquicas do ano passado, comunicou a sua saída do partido e a passagem a vereador independente.
"Infelizmente, os acontecimentos dos últimos tempos confirmam aquilo que se tornou evidente para mim: deixaram de existir condições políticas, éticas e estratégicas para continuar integrado no atual projeto partidário na Madeira", afirmou, numa declaração escrita enviada à comunicação social.
O autarca realçou que não estão em causa divergências pontuais, mas sim "uma degradação do ambiente político interno, da ausência de estabilidade e de um afastamento claro daquilo que devem ser as prioridades de um projeto autárquico sério e responsável".
"Não posso compactuar com práticas, decisões e orientações que considero prejudiciais ao trabalho autárquico e à credibilidade institucional. A política deve servir as pessoas e não jogos internos, conflitos permanentes ou estratégias que enfraquecem a nossa capacidade de intervenção", acrescentou.
Luís Filipe Santos assegurou que continuará a exercer o seu mandato "com firmeza, autonomia e compromisso absoluto com a cidade" do Funchal.
Nas eleições autárquicas de 12 de outubro do ano passado, a coligação PSD/CDS-PP alcançou seis eleitos, conquistando a maioria absoluta, o JPP dois, o Chega dois e o PS um.
Com esta decisão dos seus eleitos, o Chega deixa de ter representantes na Câmara Municipal do Funchal, a principal da Madeira.
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