Escritor chileno morreu esta quinta-feira vítima de coronavírus.
O presidente da República lamentou esta quinta-feira a morte do escritor chileno Luis Sepúlveda. Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, o Chefe de Estado refere que foi com "particular tristeza" que recebeu a notícia da morte do escritor, vítima de coronavírus.
Tristeza essa "pelo escritor que era, pelas circunstâncias que bem conhecemos, e porque era um amigo de Portugal", pode ler-se.
"Desde «O Velho Que Lia Romances de Amor», de 1989, que Sepúlveda se tornara um dos autores da América do Sul mais lidos da atualidade, como não acontecia desde o chamado «boom» latino-americano. Chileno empenhado, militante, apoiante de Salvador Allende, também jornalista, guionista, ecologista e viajante, deixou-nos, além dos romances e novelas (livros breves, claros, pícaros, alegóricos), vários testemunhos dos seus combates e do seu pensamento crítico", refere a nota.
Marcelo Rebelo de Sousa acrescenta ainda: "amplamente traduzido em Portugal, visita habitual do nosso país, o seu desaparecimento é especialmente sentido pelos portugueses, sentimento a que me associo, apresentando as minhas condolências à sua mulher, a escritora Carmen Yáñez".
Luis Sepúlveda morreu esta quinta-feira, aos 70 anos, em Espanha, em consequência da doença Covid-19. Sepúlveda estava internado desde finais de fevereiro num hospital de Oviedo, em Espanha, onde foi diagnosticado com aquela doença. Os primeiros sintomas ocorreram dias antes, quando esteve no festival literário Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim.
A confirmação de que estava infetado com a covid-19 levou, na altura, o Correntes d'Escritas a recomendar uma quarentena voluntária aos que participaram no festival e estiveram em contacto com o escritor chileno.
Tudo isto aconteceu ainda antes de as autoridades portuguesas confirmarem oficialmente qualquer registo de infeção em Portugal, o que só viria a acontecer a 02 de março.
Luís Sepúlveda, que nasceu no Chile a 04 de outubro de 1949, estreou-se nas letras em 1969, com "Crónicas de Piedro Nadie" ("Crónicas de Pedro Ninguém"), dando início a uma bibliografia de mais de 20 títulos, que inclui obras como "O Velho que Lia Romances de Amor" e "História de Uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar".
Além da escrita, a sua vida foi marcada também por forte atividade política, tendo sido expulso de Moscovo, em 1970, onde se encontrava a estudar graças a uma bolsa conseguida através de um prémio literário, e posteriormente, regressado ao Chile, expulso do partido comunista.
Entrou então no círculo mais próximo do Presidente Salvador Allende, que acabou por ser destituído e morto, e com a instituição da ditadura de Pinochet no Chile, foi parar à prisão, primeiro, e depois ao exílio.
Luis Sepúlveda tem toda a obra publicada em Portugal - alguns títulos estão integrados no Plano Nacional de Leitura -, e era presença regular em eventos literários no país.
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