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Morreu o escritor Luís Sepúlveda, vítima de coronavírus

Chileno foi diagnosticado com Covid-19 após uma passagem de quatro dias pela Póvoa de Varzim, no festival "Correntes d'Escrita".
Correio da Manhã 16 de Abril de 2020 às 09:49
Luis Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luis Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda com o comentador da CMTV, Francisco José Viegas
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Luís Sepúlveda
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Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luis Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda com o comentador da CMTV, Francisco José Viegas
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Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luis Sepúlveda
Luís Sepúlveda
Luís Sepúlveda com o comentador da CMTV, Francisco José Viegas
Luís Sepúlveda, escritor de 70 anos, morreu esta quinta-feira vítima de coronavírus, no Hospital Universitário Central da Astúrias, em Oviedo, onde se encontrava internado desde o dia 29 de fevereiro. A notícia esta a ser avançada pelo agência espanhola EFE.

Recorde-se que Luis Sepúlveda esteve em Portugal entre os dias 18 e 23 de fevereiro no festival literário Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim. Dois dias depois do regresso a Espanha começaram os primeiros sintomas.

A sua mulher, a escritora Carmen Yañez, e o colega e amigo Miguel Rojo, que viajaram com ele, também realizaram testes de despistagem à Covid-19, mas todos os resultados deram negativo.

O caso de Sepúlveda foi dos primeiros a soar as buzinas para o alerta do coronavírus em Portugal, numa altura em que o vírus ainda não tinha, alegadamente, chegado ao nosso País.

Francisco José Viegas, escritor e comentador do CM e da CMTV, foi uma das pessoas que esteve em contacto direto com o chileno, tendo optado por realizar isolamento profilático. O cenário pessimista não se chegou a verificar.

O escritor foi o primeiro paciente diagnosticado com coronavírus nas Astúrias. Chegou ao Hospital Universitário Central da Astúrias
pelo próprio pé, e o seu estado de saúde não aparentava ser grave. No dia seguinte, o quadro de pneumonia agravou-se, tendo ficado hospitalizado.

Ao longo de um mês e meio de internamento, Sepúlveda esteve sempre internado na Unidade de Cuidados Intensivos. As últimas notícias acerca do estado de saúde do autor chileno remontam ao final do mês de março e davam conta que este estaria ventilado e em evolução clínica lenta, numa altura em que ainda tentava recuperar um dos pulmões afetados.

Luís Sepúlveda, escritor, jornalista e cineasta, nasceu na cidade chilena de Ovalle, em 1949, e morava em Gijón, nas Astúrias, desde 1997. Esteve preso durante o regime de Augusto Pinochet, ditador do seu país durante 1973 e 1990.

Mudou várias vezes de residência, tendo passado por vários países do continente americano e mais tarde pela Europa, onde se instalou em Hamburgo.

Autor de vários sucessos literários, tais como "O Velho que Lia Romances de Amor", Sepúlveda tornou-se num dos escritores da sua época com obras mais vendidas e conhecidas, nomeadamente em Portugal, onde se tornou um ícone da literatura.

Porto Editora manifesta pesar pela morte do escritor
A Porto Editora, responsável pela publicação de Luis Sepúlveda em Portugal, manifestou o seu pesar pela morte do escritor chileno. 
"A Porto Editora manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento do seu autor, Luis Sepúlveda. O escritor chileno tem a sua obra editada em Portugal pela Porto Editora e era presença assídua na Feira do Livro de Lisboa, em sessões de autógrafos onde era bem visível o carinho do público português pelos seus romances", pode ler-se numa nota da editora.

Escritor Francisco José Viegas despede-se do amigo Luís Sepúlveda
O escritor Francisco José Viegas já reagiu à morte do autor e seu amigo Luís Sepúlveda, que sucumbiu esta tarde de quinta-feira, após uma luta de mês e meio contra o coronavírus. "Tratávamo-nos por 'el gordito' um ao outro. Isto assim não está bem. Ao fim de quase dois meses, um adeus anunciado", escreveu o comentador da CM e da CMTV numa publicação via Twitter.

"Querido Lucho": Escritor José Luís Peixoto sobre escritor chileno

O autor José Luís Peixoto recebeu com "choque" a noticia do "desaparecimento" do escritor chileno Luís Sepúlveda, lembrando o homem "generoso na escrita e na vida, combativo, sonhador, resistente".

"Recebo com choque a notícia do desaparecimento deste amigo. E passam-me pela cabeça estes quase vinte anos de encontros em várias partes do mundo, também as histórias partilhadas depois dos jantares na sua casa, em Gijón. As histórias dele, ainda no Chile ou já na Europa, eram sempre as mais incríveis", recorda o escritor português, num depoimento partilhado pela Porto Editora.

"Lucho era o nome pelo qual gostava de ser tratado pelos amigos. Por isso, agora, não consigo chamar-lhe outro nome. Querido Lucho", acrescentou.


DGS acompanhou o caso
A Direção-Geral de Saúde (DGS) manteve-se em contacto com as Autoridades de Saúde de Espanha, depois do escritor Luis Sepúlveda, que esteve presente no festival Correntes de Escrita, na Póvoa de Varzim, ter sido infetado pelo novo coronavírus. No final de fevereiro, a DGS está pediu a todos os cidadãos que estiveram em contacto próximo com o escritor que entrassem em contacto com a linha SNS24.

Funcionários da Porto Editora em quarentena
Por indicação da DGS, a Porto Editora, que edita em Portugal os livros do escritor de origem chilena, obrigou os quatro colaboradores que estiveram em contacto com o casal na Póvoa de Varzim a permanecerem em casa.  "Os quatro profissionais da nossa editora que estiveram com o escritor e com a mulher vão permanecer em casa durante 14 dias por indicação da DGS. Estão todos bem, não têm sintomas, mas estão todos em ligação diária connosco. Estão atentos aos possíveis sintomas e com obrigatoriedade de monitorizar a temperatura", explicou na altura ao CM Paula Gonçalves, porta-voz da editora.

Funcionária de hotel em isolamento
Um dos casos suspeitos da doença coronavírus, detetatados na sequência da passagem de Sepúlveda em Portugal, foi uma funcionária de um hotel da Póvoa do Varzim, onde o escritor chileno Luis Sepúlveda esteve hospedado, durante o festival "Correntes d'Escrita". O cenário não se confirmou.

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