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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ex-secretário-geral adjunto do MAI e presidente da empresa que gere o SIRESP ouvidos esta quinta-feira no Parlamento

Audições foram pedidas pelos grupos parlamentares da Iniciativa Liberal e do Chega com o objetivo de esclarecer "as graves afirmações constantes da carta" de demissão de António Pombeiro.

11 de junho de 2026 às 07:06

O ex-secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, e o presidente da empresa que gere o SIRESP, Viegas Nunes, vão ser hoje ouvidos no parlamento para esclarecer a polémica em torno da demissão de Pombeiro.

As audições foram pedidas pelos grupos parlamentares da Iniciativa Liberal e do Chega com o objetivo de esclarecer "as graves afirmações constantes da carta" de demissão de António Pombeiro, na qual "constam, nomeadamente, acusações de favorecimento, de conflitos de interesses" e de tomada de decisões "eticamente reprováveis" dirigidas a Viegas Nunes.

O secretário-geral adjunto do Ministro da Administração Interna (MAI) demitiu-se do cargo no passado dia 22 de maio alegando um conjunto de "graves irregularidades" na gestão da Siresp S.A. durante a presidência de Viegas Nunes, que foi presidente da empresa entre 2022 e 2024 e regressou agora à liderança da empresa.

Pombeiro, que se demitiu do cargo no mesmo dia em que Viegas Nunes foi nomeado para a presidência da empresa, mostrou a sua "total indisponibilidade" para continuar no cargo, tendo em conta que "já havia transmitido" ao ministro informações sobre alegadas "graves irregularidades" sem que tivesse sido desencadeada qualquer averiguação interna.

O ministro da Administração Interna, que também foi chamado ao parlamento em data a anunciar, rejeita ilegalidades na gestão da rede SIRESP durante a presidência de Viegas Nunes, referindo que as alegadas situações foram "inteiramente escrutinadas na auditoria" da Inspeção-Geral das Finanças sem que fossem apontadas ilegalidades.

O ministro tem destacado as competências de Viegas Nunes, sublinhando que "deu provas muito qualificadas e de enorme valor ao país" durante a sua presidência na empresa pública e que "nenhum dos factos vindos a público belisca minimamente o general".

António Pombeiro pediu pela primeira vez a exoneração a 28 de abril passado, antes de ser conhecida a escolha de Viegas Nunes, tendo na altura, segundo o MAI, "invocado motivos diferentes dos que estão agora em causa" e reconsiderado a sua própria decisão.

No entanto, 'emails' a que a Lusa teve acesso, mostram que no primeiro pedido de demissão António Pombeiro já fazia referências diretas a Viegas Nunes, nomeadamente de tentar aproximar o SIRESP da esfera das Forças Armadas, e denunciava várias irregularidades e "um episódio suscetível de configurar conflito de interesse".

A rede de comunicações SIRESP tem sido marcada por várias polémicas desde que foi criada, tendo sofrido as maiores alterações após as falhas no combate aos incêndios de 2017, mas voltou a ter limitações no apagão de 2025 e na tempestade Kristin que afetou a região centro no fim de janeiro.

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