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Falsos apelos de Goucha e imigração entre principais casos de desinformação nas presidenciais

Entre os exemplos estão conteúdos falsos que alegavam que o apresentador Manuel Luís Goucha tinha apelado ao voto contra o socialismo na segunda volta das eleições.

05 de junho de 2026 às 13:17

Falsas declarações atribuídas a candidatos presidenciais, alegados apelos de Manuel Luís Goucha e conteúdos que ligavam Seguro à imigração sem restrições foram os principais casos de desinformação durante as presidenciais, concluiu um relatório do observatório Iberifier.

O documento, que analisou as principais narrativas de desinformação detetadas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 em Portugal e Espanha, identificou a campanha presidencial portuguesa como um dos períodos de maior circulação de conteúdos manipulados nas plataformas digitais.

Entre os exemplos estão conteúdos falsos que alegavam que o apresentador Manuel Luís Goucha tinha apelado ao voto contra o socialismo na segunda volta das eleições e publicações que atribuíam a António José Seguro posições favoráveis à imigração sem restrições e à construção de mais mesquitas.

"O objetivo destas narrativas era influenciar perceções eleitorais e alimentar a desconfiança relativamente aos candidatos, ao processo democrático e às próprias instituições democráticas", lê-se no documento.

O Observatório Ibérico dos Media Digitais (Iberifier) assinalou a disseminação de informação enganosa destinada a criar uma perceção negativa de Portugal face a outros países da União Europeia (UE), através da divulgação de indicadores socioeconómicos descontextualizados ou falsos.

Entre os exemplos identificados estiveram alegações de que Portugal seria um dos países europeus onde menos pessoas conseguem pagar uma refeição adequada ou aquele com a taxa de IVA mais elevada da Europa.

Além disso, a imigração voltou igualmente a surgir como um dos principais focos de desinformação em Portugal.

Durante o período natalício circularam vídeos falsamente apresentados, nos quais era visível grupos de muçulmanos a invadir mercados de Natal na Alemanha, bem como alegações de que determinadas expressões associadas ao Natal teriam sido proibidas.

O relatório destacou conteúdos falsos segundo os quais a TAP ou diretivas da UE teriam proibido o uso de termos relacionados com o Natal, bem como alegações de que mercados natalícios teriam passado a designar-se "mercados de inverno", para fomentar a inclusão.

Foram ainda identificados vídeos manipulados sobre alegada sobrelotação de hospitais por imigrantes e publicações falsas sobre uma suposta produção massiva de cartões de cidadão portugueses destinados a estrangeiros.

Outro dos fenómenos em crescimento em Portugal foi a fraude digital associada à desinformação.

Segundo o relatório, foram detetadas campanhas em larga escala que imitavam comunicações de entidades oficiais, incluindo falsas multas de trânsito, notificações fraudulentas do Serviço Nacional de Saúde e anúncios enganosos sobre alegados apoios financeiros atribuídos pelo Governo.

Os investigadores destacam igualmente o crescimento do uso de Inteligência Artificial (IA) na proliferação de conteúdos falsos, sobretudo em torno de acontecimentos internacionais de elevada sensibilidade política.

Um dos principais exemplos foi a detenção do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, que gerou uma vaga de imagens e vídeos manipulados produzidos por IA, incluindo falsas operações militares e manifestações fabricadas.

Segundo o relatório, este foi um dos temas de desinformação mais recorrentes tanto em Portugal como em Espanha.

Os "Epstein files" continuaram a alimentar teorias da conspiração, com a circulação de imagens geradas por IA e documentos manipulados que associavam figuras públicas ao caso.

No plano europeu, a própria União Europeia foi alvo frequente de desinformação, incluindo alegações falsas sobre uma proibição do uso das redes sociais por menores de 18 anos, acusações de censura nas plataformas digitais e narrativas sobre penalizações a eurodeputados por discordarem de posições pró-Ucrânia.

O relatório foi elaborado no âmbito do Iberifier, financiado pela Comissão Europeia e integrado no Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO).

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