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Gouveia e Melo acusa primeiro-ministro de tentar condicionar escolha do futuro Presidente

Salientou que o próximo chefe de Estado não pode ser nem marioneta nem oposição ao Governo.

05 de janeiro de 2026 às 12:39

O candidato presidencial Gouveia e Melo acusou esta segunda-feira o primeiro-ministro de procurar condicionar a escolha dos portugueses nas eleições e salientou que o próximo chefe de Estado não pode ser nem marioneta nem oposição ao Governo.

Henrique Gouveia e Melo falava depois de ter visitado a fábrica da Delta, em Campo Maior, distrito de Portalegre, após ter sido confrontado pelos jornalistas com declarações proferidas pelo presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, que enquadrou o almirante no conjunto dos candidatos populistas às próximas eleições presidenciais.

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada começou por prometer que, se for eleito Presidente da República, terá "uma relação construtiva e institucional" com o Governo, mas assinalou logo a seguir que ouviu "com desagrado as declarações do primeiro-ministro".

"Acho que o senhor primeiro-ministro esteve mal, porque não se pode esquecer que, mesmo enquanto presidente do PSD, continua a ser um primeiro-ministro. Não consegue dissociar as duas coisas. E vai ter que conviver com o futuro Presidente da República, seja ele qual for", avisou.

Mas foi mais longe: Luís Montenegro, segundo o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, "não pode condicionar os portugueses a escolherem o Presidente da República que ele acha que lhe dá jeito".

Depois, neste contexto, recusou ser populista, voltou a definir-se como estando posicionado no centro político, defensor de uma economia social. E deixou farpas indiretas aos seus opositores Marques Mendes e António José Seguro, embora sem os nomear.

"Portugal precisa de um Presidente que seja um árbitro do sistema, que seja equilibrado. Ser uma marioneta de um Governo não é bom para o sistema, até porque o Governo nem tem maioria absoluta [no parlamento]. Mas também tentar escolher uma pessoa que vá para lá para fazer uma oposição ao Governo não me parece igualmente uma coisa muito boa", sustentou.

Segundo o almirante, na corrida a Belém, estão "dois candidatos do sistema: um a querer ir para Presidente para ajudar o Governo; e outro a querer ir para dizer que, de alguma forma, contraria o Governo".

"Um Presidente da República tem de ser equilibrado e independente, mas essa independência está perfeitamente posta em causa, porque o que temos são candidatos verdadeiramente partidários", considerou.

Em nova alusão indireta ao social-democrata Marques Mendes e ao socialista António José Seguro, o almirante definiu-os como não sendo ambos suprapartidários.

"Nem sequer conseguem ter o pleno dos seus partidos. Portanto, nem no partido conseguem o pleno e querem convencer a população portuguesa de que são suprapartidários. Não são [candidatos] suprapartidários. São verdadeiramente uma pequena cor do arco-íris", rematou.

Perante os jornalistas, Gouveia e Melo repudiou também o facto de Luís Montenegro o ter equiparado ao presidente do Chega, André Ventura.

"O primeiro-ministro pode chamar-me o que quiser, mas eu não sou aquilo que ele me que chamar, porque nunca fui populista e os senhores jornalistas sabem muito bem que eu digo um conjunto de coisas e adoto uma atitude que não tem nada a ver com o populismo. Não digo as coisas fáceis", reforçou.

O almirante acrescentou que, ao longo da sua vida, nunca foi populista nem radical, mas, antes, "equilibrado, moderado e ao centro".

"Na minha vida toda, se não fosse moderado e se não fosse equilibrado, se calhar teriam acontecido muitos acidentes ao longo da minha carreira", advogou numa alusão ao seu percurso na Marinha e como coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.

"Tive que tomar decisões muito difíceis, em muitos momentos. E a prova mais evidente, embora não pretenda estar sempre a falar disto, foi o que aconteceu na pandemia", acrescentou.

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