Ministra do Ambiente e da Energia realçou que "é um projeto que as pessoas estão à espera há muito tempo para tornar o rio mais navegável, fazer a renaturalização das margens e a recuperação dos ecossistemas".
O Rio Mira, que atravessa o concelho de Odemira, no distrito de Beja, vai ser desassoreado, num investimento avaliado em cerca de 2,8 milhões de euros e que deverá estar concretizado até final do próximo ano.
O Protocolo de Colaboração Técnica para a Intervenção de Restauro Ecológico do Rio Mira foi assinado, na tarde desta terça-feira, pela Câmara de Odemira e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), numa cerimónia realizada na vila do litoral alentejano e que contou com a presença da ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho.
"É um projeto que as pessoas de Odemira estão à espera há muito tempo para tornar o rio mais navegável e também para fazer a renaturalização das suas margens e a recuperação dos ecossistemas ao longo do Mira", disse a governante à agência Lusa, no final da cerimónia.
A ministra explicou que, até final de 2026, será desenvolvido o projeto de execução, num investimento avaliado em cerca de 300 mil euros e financiado pelo Fundo Ambiental.
Já as obras de desassoreamento decorrerão ao longo de 2027, tendo um custo estimado de 2,5 milhões que será candidatado ao programa temático Sustentável 2030 ou, em alternativa, assumido pelo Fundo Ambiental, acrescentou.
Para Maria da Graça Carvalho, o Rio Mira "é uma maravilha e um santuário de natureza, de beleza e de biodiversidade".
Além do mais, acrescentou, "é uma atração turística e [um recurso] importantíssimo para toda esta região".
"Odemira vive muito à volta do seu rio, assim como Vila Nova Milfontes, daí a importância deste protocolo", frisou.
A ministra do Ambiente e da Energia revelou ainda à Lusa que o concelho de Odemira e o de Mértola, também no distrito de Beja, poderão integrar o novo Plano Nacional de Restauro, como "projetos-piloto" de restauro da natureza.
Para o presidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro (PS), o desassoreamento do Rio Mira "é um investimento mesmo muito importante" para o concelho, uma vez que vai permitir a criação de "condições de navegabilidade do rio, que é um dos principais fatores de coesão no território".
"Isso também nos trará novas oportunidades de valorização do rio enquanto meio de termos mais turismo, um turismo diferenciado e associado ao rio e à natureza", acrescentou.
A assinatura do Protocolo de Colaboração Técnica para a Intervenção de Restauro Ecológico do Rio Mira foi o último momento da visita realizada pela ministra do Ambiente e da Energia ao concelho de Odemira.
A iniciativa incluiu, de manhã, uma visita técnica ao Rio Mira, tendo a governante viajado de barco entre Vila Nova de Milfontes e Odemira.
Depois, pela tarde, Maria da Graça Carvalho presidiu a uma reunião, em Odemira, com as entidades que integram o Pacto do Mira, para analisar o estado de execução do plano de ação para a valorização do rio.
Segundo disse à Lusa a governante, durante a reunião foram manifestadas algumas preocupações sobre a retirada da Bandeira Azul da praia da Franquia, em Vila Nova de Milfontes, e o estado de algumas estações de tratamento de águas residuais.
A situação atual da barragem de Santa Clara, neste concelho do Alentejo Litoral, também foi abordada, com Maria da Graça Carvalho a defender ser necessária "uma gestão cuidadosa" desta infraestrutura.
"Houve uma inspeção da APA em maio e está tudo a funcionar bem e isso é bom, porque não sabemos como é que vai ser o inverno. Pode haver uma grande seca como pode vir uma cheia, portanto é importante ter tudo a funcionar bem e preparado para o cenário que vier", concluiu.
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