Camas são destinadas a pessoas com alta clínica que ainda não podem ser encaminhadas para cuidados continuados.
O ministro da Presidência admitiu esta sexta-feira que a criação de 400 vagas de internamento social em novas unidades intermédias, contratualizadas com entidades do setor social e solidário, será rápida, embora não avance datas concretas.
"São uma solução transitória (...) é uma questão de dias, de semanas, para estas situações serem colocadas em marcha", disse António Leitão Amaro na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, em Lisboa.
O Governo prevê criar 400 vagas de internamento social em novas unidades intermédias, contratualizadas com entidades do setor social e solidário, destinadas a pessoas com alta clínica que ainda não podem ser encaminhadas para respostas permanentes de cuidados continuados.
De acordo com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), as unidades intermédias são de caráter transitório e as 400 vagas serão contratualizadas com entidades do setor social e solidário, seja com criação de unidades autónomas, especificamente para casos de internamentos sociais, ou afetando para este fim camas já existentes em respostas sociais.
Na quinta-feira, no debate quinzenal no parlamento, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, adiantou que nesse mesmo dia as ministras da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social haviam "decidido criar uma resposta rápida para poder tirar do sistema hospitalar casos sociais que retiram capacidade precisamente para as situações de emergência".
Segundo António Leitão Amaro, a libertação de camas hospitalares deverá também melhorar o desempenho do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que enfrenta constrangimentos devido à saturação das urgências.
"É muito importante, porque permite libertar camas dentro dos hospitais (...) com uma melhoria muito significativa da capacidade de atendimento do INEM", realçou.
Leitão Amaro afirmou que a dificuldade na entrada de ambulâncias nos hospitais está diretamente ligada ao "estrangulamento de macas e de camas", um problema que resulta de "várias situações" e que se agravou com o pico do surto gripal.
"A situação de dificuldade da passagem das ambulâncias para dentro dos hospitais tem muito a ver naturalmente com um estrangulamento de macas e de camas, e que ele resulta de várias situações", observou.
Segundo o ministro, o surto gripal que atravessa a Europa está a provocar uma ocupação excecional da capacidade instalada.
"Obviamente, como nós sabemos, em especial de um pico do surto gripal fortíssimo, muito elevado por toda a Europa também aqui, que reforça e aumenta muito a ocupação da capacidade das camas e o treinamento para as pessoas", reconheceu.
Leitão Amaro sublinhou que o Governo está a atuar em duas frentes: reforçar a capacidade de resposta imediata e libertar camas ocupadas por doentes que já não necessitam de cuidados hospitalares, mas que permanecem internados por razões sociais.
"Podemos procurar resolver esse problema (...) procurando libertar mais camas (...) cerca de três mil casos sociais, as chamadas camas sociais ou doentes com a situação social, que podiam e deveriam estar já, não no hospital, mas muitos ainda a precisarem de algum acompanhamento de cuidados", disse.
O ministro acrescentou que existe uma "dificuldade histórica" de cerca de 3 mil camas ocupadas por estes casos sociais, muitas vezes dependentes de institucionalização em lares.
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