page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Hernâni Dias diz que Entidade da Transferência não viu "nenhum problema" na criação das empresas imobiliárias

Em causa está a polémica da lei dos solos e a criação de duas empresas imobiliárias por parte do ex-secretário de Estado.

04 de fevereiro de 2025 às 11:29

A audição parlamentar ao ex-secretário de Estado da Administração local, Hernâni Dias, decorre esta terça-feira na Assembleia da República. Em causa está a conduta como presidente da Câmara de Bragança e a suspeita das duas empresas imobiliárias terem beneficiado da lei dos solos. 

Inicialmente, foi questionado por Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, partido que solicitou a auditoria, sobre a elaboração da lei dos solos e a criação das duas empresas ao mesmo tempo que "exercia funções de governantes".

"Sempre agi de boa fé e com transferência" assumiu o ex-secretário

O ex-secretário começou por afirmar que "dentro do que foi a minha atividade sempre agi de boa fé e com transparência". Quando decidiu criar as empresas pediu esclarecimentos à Entidade de Transferência. A entidade em questão não viu "nenhum problema" na criação, mas destacou que não podia deter a maioria do capital das empresas e não podia ser sócio gerente.

Quando começaram a surgir dúvidas sobre o caso, Hernâni Dias admitiu que foi o "primeiro a demonstrar preocupação" e revelou ter informado o "Ministério Público no sentido de aferir se podia haver algum prejuízo para o município de Bragança", explicou. 

Durante a sua primeira intervenção, destacou ainda que as rendas durante a formação do seu filho em engenharia no Porto foram pagas pelo político. "Tenho todos os recibos, pagos por mim", anunciou. 

PS considera que caso "levanta questões éticas"

O deputado do PS, André Rijo, afirmou que o caso "levanta questões éticas e de conflitos de interesses" sobre a razão da criação das empresas imobiliárias referidas no caso. 

"É muito entranho criar empresas cujo objeto é relacionado com as áreas de tutela governamental", acrescentou o deputado. 

No momento atribuído ao partido do PSD, a deputada Dulcineia Moura considerou que os ataques feitos "à dignidade e à pessoa" do ex-secretário não são "legítimos". 

A deputada Marta Silva representante do partido Chega assumiu que a demissão do ex-secretário era "inevitável", contudo, foi acompanhada pelo silêncio de Luís Montenegro. 

Marta Silva considerou ainda que a criação das duas empresas imobiliárias "não é um lapso" nem uma "coincidência", uma vez que apenas uma das empresas foi apresentada à Entidade da Transparência. 

O antigo governante explicou que entendeu que não tinha de o fazer porque, ao contrário do que aconteceu no primeiro caso, não foi o próprio a entrar no capital social da empresa, mas sim a primeira empresa que constituiu. 

No entanto, acrescentou, enviou no dia 6 de janeiro uma comunicação eletrónica à Entidade da Transparência a pedir esclarecimentos sobre essa segunda empresa, à qual não obteve ainda resposta.

"Ninguém sabia sobre aquilo que estava a fazer" admite Hernâni Dias

Depois das questões colocadas pelos vários partidos, Hernâni Dias começou por anunciar que está a ser julgado pelo que "supostamente poderia fazer" e não pelo que fez.

Deixou claro que "ninguém sabia sobre aquilo que estava a fazer", inclusive o primeiro-ministro desconhecia o caso. Consequentemente, demitiu-se porque a seu ver não foi "cauteloso na dimensão política" e não deveria ser que foi "um elemento prejudicial à governação do país". Contudo, afirma que caso foi "aproveitado pelos outros partidos".

O ex-secretário assumiu ainda que não tem "rigorosamente nada a esconder". Garantiu novamente que não tinha violado a legislação e deixou claro que "não cometeu nenhum crime". 

"Não houve aqui nada que estivesse escondido, nada que merecesse nenhum tipo de censura relativamente àquilo que foi a minha atuação. No entanto, eu próprio não estaria confortável comigo se, eventualmente, estivesse a ser um elemento desestabilizador da ação do Governo. E, por isso, apresentei a minha demissão", assegurou.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8