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Correio da Manhã

Política

"Inteligente, rápido e com sentido de humor": As reações à morte de Álvaro Barreto

Francisco Pinto Balsemão e Cavaco Silva já reagiram à morte do ex-ministro do PSD esta segunda-feira, aos 84 anos.
Lusa 10 de Fevereiro de 2020 às 18:56
Alvaro Barreto ministro das Actividades Económicas e do Trabalho
Alvaro Barreto ministro das Actividades Económicas e do Trabalho

O ex-ministro do PSD, Álvaro Barreto, morreu ao princípio da tarde esta segunda-feira, aos 84 anos.

Álvaro Barreto foi ministro de sete governos constitucionais, com Carlos Mota Pinto, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mário Soares, Cavaco Silva (duas vezes) e Pedro Santana Lopes.

O velório de Álvaro Barreto está previsto para terça-feira à tarde, na Igreja do Campo Grande, em Lisboa.

Foram já várias as figuras nacionais a reagir à morte do ministro recordista de presenças no Governo.

O ex-primeiro-ministro e militante número 1 do PSD, Francisco Pinto Balsemão, evocou Álvaro Barreto como alguém "inteligente, rápido, polifacetado, com um grande sentido de humor".

"Inteligente, rápido, polifacetado, com um grande, e por vezes cáustico, sentido de humor, excelente desportista", recordou o fundador do semanário Expresso e da SIC, numa declaração enviada à Lusa.

O fundador do PSD lembrou que conheceu Álvaro Barreto no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, tendo convivido "tanto na vida privada", porque eram vizinhos em Cascais, como "na política", nos Governos de Sá Carneiro e de Pinto Balsemão, e como "militante do PSD".

PSD evoca legado de Álvaro Barreto
Na nota em evocou "o seu legado", a direção do PSD, liderada por Rui Rio, recordou ter tutelado, ao longo da sua carreira, seis pastas diferentes, da Indústria, da Agricultura, da Integração Europeia, do Comércio e Turismo, das Atividades Económicas e do Trabalho.

Cavaco Silva lembra "elevada competência, capacidade de negociação e coragem"
O ex-Presidente da República Cavaco Silva lembrou a "elevada competência, capacidade de negociação e coragem" de Álvaro Barreto, considerando que a competitividade da agricultura portuguesa "muito deve" ao seu ex-ministro.

Numa nota enviada à agência Lusa, Aníbal Cavaco Silva não poupa elogios ao seu ex-ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação e seu colega no executivo de Sá Carneiro como titular da Indústria e Energia.

"Foi com pesar que tomei conhecimento da morte do Eng.º Álvaro Barreto a quem é devido um reconhecimento pelos serviços prestados ao nosso País. Além das suas qualidades como gestor empresarial, Álvaro Barreto foi um homem que muito serviu Portugal no exercício de funções ministeriais", começa por sublinhar o ex-chefe de Estado.

Cavaco Silva assinala que, "como um dos responsáveis pelo processo de negociação da adesão de Portugal à CEE e, depois, como ministro, foi um negociador exímio na defesa da agricultura portuguesa".

"Foi incansável e de grande firmeza nas negociações da reforma da Política Agrícola Comum e dos fundos estruturais, de modo a assegurar a reconversão e a modernização da nossa agricultura e defender o rendimento dos nossos agricultores", salienta o ex-primeiro-ministro para concluir de seguida: "Se hoje a nossa agricultura goza de competitividade em face do espaço europeu, muito deve ao trabalho de Álvaro Barreto".

O ex-chefe de três governos recorda o tempo em que Álvaro Barreto foi seu colega no governo de Sá Carneiro como ministro da Indústria e Energia "no tempo da crise energética mundial em que o preço do petróleo subiu cerca de 80% e muito se empenhou na defesa da melhoria da eficiência na utilização da energia".

Lembra também que Barreto fez parte dos seus dois primeiros governos, entre 1985 e 1991, como ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação e desempenhou funções com "elevada competência, capacidade de negociação e coragem".

"Desempenhou um papel decisivo na estabilização da posse e da exploração da terra, pondo fim à conflitualidade e à incerteza geradas pelas ocupações, expropriações e nacionalizações após o 25 de Abril de 1974. Muito contribuiu para melhorar o clima de confiança dos empresários agrícolas, essencial para enfrentar as exigências decorrentes da integração europeia", acentua.

Além das "palavras de reconhecimento", Cavaco Silva dirige à família de Álvaro Bissaya Barreto "uma palavra de pesar na hora da sua partida".

Siza Vieira destaca "competência e empenho" de ex-ministro

O ministro da Economia destacou hoje a "competência e empenho" de Álvaro Barreto, lembrando ainda que o gestor assumiu, mais que uma vez, a pasta da Economia "em momentos difíceis".

Em comunicado, Pedro Siza Vieira lembrou a "longa e distinta carreira" de Álvaro Barreto, que, segundo o governante, se distinguiu "pela sua competência e empenho" em todos os lugares onde trabalhou.

"Como ministro da Economia, não posso deixar de recordar que o engenheiro Álvaro Barreto, por mais de uma ocasião, teve a responsabilidade por esta pasta, designadamente em momentos difíceis da nossa história económica", acrescentou.

Confederação dos Agricultores de Portugal lamenta morte do ministro responsável pela PAC

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) lamentou a morte de Álvaro Barreto, que recordou como o ministro responsável pela aplicação da Política Agrícola Comum (PAC) em Portugal.

"Álvaro Barreto desempenhou as exigentes e importantes funções de ministro da Agricultura entre os anos de 1984 e 1990, coincidindo esse período com a adesão de Portugal à então CEE [Comunidade Económica Europeia]", lembrou o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa.

A confederação notou que se deve a Álvaro Barreto a "negociação e introdução" da PAC em Portugal, que representou "um salto qualitativo importante para a modernização, qualificação e competitividade" do setor agrícola português.

Eduardo Oliveira e Sousa recordou também o antigo ministro como "protagonista na reversão da lei da reforma agrária, permitindo a recuperação de muitas propriedades ocupadas no período mais negro da revolução" e o seu papel "de relevo" na dinamização do projeto de investimento do Alqueva.

"Cumpre à CAP dirigir sentidos pêsames aos seus familiares, manifestando um profundo reconhecimento ao homem e ao político, pelo sentido de Estado, de missão e de dever que demonstrou ao longo da sua intensa e duradoura carreira", concluiu.

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