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Livre envia carta a Montenegro a apelar que Portugal não organize Mundial 2030 com Marrocos

Pedido surge na sequência da entrada massiva de migrantes em Ceuta oriundos daquele país do norte de África.

05 de agosto de 2026 às 07:49

O Livre enviou esta quarta-feira uma carta ao primeiro-ministro a pedir que Portugal não organize conjuntamente com Marrocos o mundial de futebol de 2030, na sequência da entrada massiva de migrantes em Ceuta oriundos daquele país do norte de África.

Na missiva, assinada por todo o Grupo Parlamentar do Livre, os deputados apelam a Luís Montenegro, que manifeste publicamente a oposição do Governo português "à manutenção de Marrocos como país parceiro para o Campeonato Mundial de Futebol em 2030".

"Percebendo a sensibilidade do assunto, esperamos que a diplomacia e contacto com a Real Federación Española de Fútbol e o governo espanhol seja feita tão rapidamente quanto possível, de modo a tomar uma decisão que não impacte a organização do campeonato e o papel organizativo de Portugal e Espanha", referem.

Já na terça-feira, o porta-voz do Livre Jorge Pinto tinha defendido esta posição numa publicação numa rede social, na qual pedia que os portugueses não ficassem "tristemente associados à organização com um país que mostrou não ter capacidade nem dar confiança".

O Livre leva agora diretamente o assunto ao primeiro-ministro, considerando que se tornou "insustentável a participação de Marrocos" na organização do próximo campeonato mundial de futebol, juntamente com Portugal e Espanha.

"Ao desrespeito do direito internacional para o qual o Livre tem vindo a alertar - como as décadas de violações sistemáticas por parte do regime marroquino dos Direitos Humanos do seu próprio povo ou a negação da autodeterminação e repressão violenta do povo saarauí e o não cumprimento da realização do referendo de autodeterminação - adiciona-se, mais recentemente, a instrumentalização de cidadãos marroquinos em Ceuta, inclusivamente de jovens, mulheres e crianças para um ataque às fronteiras com Espanha, com consequências trágicas", afirma.

O partido considera que "este acontecimento confirma que não existem condições nem garantias políticas de segurança e de cooperação leal entre Marrocos e Espanha e Portugal para manter esta coorganização".

"Os governos de Portugal e Espanha, em conjunto com a UE e a UEFA, devem deixar claro que, tal como inicialmente previsto, é apenas entre Portugal e Espanha que se verificam as condições para a realização do evento. Se ambos os países cumprem - pois cumprem - todos os requisitos para a coorganização do Campeonato do Mundo de 2030, não podem estes países ser prejudicados, devendo manter-se como coorganizadores", defende

Nesta carta, o Livre sustenta também que o Estado português e as entidades desportivas nacionais não devem permitir que "Portugal se associe a Marrocos na organização de um evento desta dimensão, atentas não só a coerência da política externa nacional, incluindo a promoção e defesa de Direitos Humanos, mas também as exigências logísticas, de segurança e de responsabilidade inerentes à organização do próprio evento e que tomam particular relevância num momento em que Portugal assumirá, em breve, funções como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

A organização do Mundial de futebol de 2030 foi atribuída a Portugal, Espanha e Marrocos. O evento deverá decorrer entre 08 de junho e 21 de julho de 2030.

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