Para a deputada do Livre, a estabilidade política do país está nas mãos do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
A líder parlamentar do Livre afirmou que estabilidade política "não é não haver eleições", considerou que o país está instável e pediu uma reação do Parlamento caso avance uma revisão constitucional negociada com o Chega.
Em declarações à Lusa, em antecipação do debate do estado da nação da próxima quinta-feira, no Parlamento, Isabel Mendes Lopes defendeu que a estabilidade política deve ser medida pelas condições de vida das pessoas e pela previsibilidade das políticas públicas, e não apenas pela duração da legislatura.
"Estabilidade política não é não haver eleições. Estabilidade política é as pessoas terem estabilidade na sua vida (...). O país está muito instável nesse aspeto e, inclusive, a polarização que o Governo tem instigado vem trazer instabilidade à vida das pessoas. Os discursos de ódio têm aumentado, os crimes de ódio têm aumentado. As pessoas também têm a sua própria vida mais instável", considerou.
Para a deputada do Livre, a estabilidade política do país está nas mãos do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e, perante isso, o Governo tem optado por aliar-se no Parlamento a um "jogador altamente batoteiro".
Isabel Mendes Lopes defendeu que, se o Governo quer mostrar que está empenhado em assegurar estabilidade, deve "garantir que não há uma revisão constitucional com a extrema-direita", adiantando que esse será um dos temas abordados pelo Livre no debate do estado da Nação.
"Se o PSD escolhe fazer uma revisão constitucional com este parceiro, está claramente a escolher o lado que conflitua com aquilo que foi o consenso em 1976. Fará uma revisão constitucional que vai contra os princípios daquilo que os deputados constituintes quiseram fazer. Se o PSD insistir nisto, está, no fundo, a continuar este caminho de radicalização", afirmou, pedindo que, se isso acontecer, o "Parlamento reaja".
Mendes Lopes considerou que rever a Constituição com o Chega seria uma "falta de responsabilidade do PSD com o seu próprio património", afirmando que não acredita que as figuras históricas e atuais dos sociais-democratas se revejam nesse caminho.
A co-porta-voz do Livre acusou ainda o executivo de "adotar as bandeiras do Chega", em vez de concentrar as suas políticas na resposta aos problemas na habitação ou do custo de vida, por ver nessas opções "uma boia para se manter à tona".
Na avaliação da situação do país, a deputada destacou a crise da habitação, acusando o Governo de não enfrentar a especulação imobiliária, e também a subida do custo de vida, pedindo mais apoios para as famílias e recordando a proposta do Livre para devolver às famílias de menores rendimentos o IVA no consumo.
A deputada referiu também o "caos nos exames" como exemplo de uma "maneira de fazer política que é comum a todo o Governo": "Uma grande prepotência, um grande desligamento da realidade e uma grande falta de ouvir quem verdadeiramente está no terreno", atirou.
Além de travar uma revisão constitucional à direita, Mendes Lopes definiu como prioridades do Livre para a próxima sessão legislativa restringir a publicidade a jogos de azar, preparar o país para fenómenos extremos, e uma revisão da lei laboral que aumente a proteção dos trabalhadores.
A deputada apontou ainda como prioridade a promoção de uma posição mais vocal de Portugal na defesa dos direitos humanos e do direito internacional, criticando a postura do Governo perante a "onda de autoritarismo que está a crescer por todo o mundo".
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