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Luís Neves admite erros mas não se demite

Ministro falou diretamente para o líder do Chega e garantiu que críticas e possibilidade de uma moção de censura não o intimidam.

02 de setembro de 2026 às 01:30

O ministro da Administração Interna reconheceu esta terça-feira ter cometido erros mas garantiu que não tenciona demitir-se. “Cometi um ou outro erro que já reconheci com toda a humildade, mas que não põem em causa a minha ação. Nunca procurei esconder fosse o que fosse, mas há uma distância que não me permitirei que seja apagada, entre os erros que assumi e aquilo que se fala, crimes que não cometi”, disse Luís Neves.

Em resposta direta ao presidente do Chega, André Ventura, e à moção de censura que o partido ameaçou apresentar, o governante salientou que “nada disto me intimida ou condiciona”. Recordou que durante a sua passagem pela PJ investigou “sempre com provas”, porque “sem provas não há acusação, há difamação”. “Nunca tomei uma decisão que pudesse prejudicar o estado”, sublinhou. O ministro deixou ainda mais críticas ao líder da oposição. “Não aceito que André Ventura transforme aquilo que assumi naquilo que nunca fiz (...) há quem decrete que perdi autoridade, estou diminuído ou que já não tenho condições para exercer funções. A sério que estão a pensar nisso? Estão enganados”, afirmou Neves. O titular da Administração Interna criticou também a forma como o populismo tem crescido. “É alarmante ver como alguns acabam contaminados pela agenda política do caos”, atirou, destacando que “o populismo quer uma política de medo”.

Luís Neves reiterou, por fim, que tem uma “motivação adicional” para continuar no Governo. “Desenganem-se aqueles que pensavam o contrário”, disse o governante, defendendo que quer contribuir para “derrotar politicamente o populismo e a ideia de que vale tudo para conquistar o poder”.

E TAMBÉM

Desafio audição parlamentar

Luís Neves será ouvido na próxima semana no Parlamento, e deixou um desafio ao líder do Chega, reiterando estar preparado para qualquer escrutínio. “No próximo dia 8 terei a audição regimental. Quero dizer a André Ventura que estou totalmente disponível para lhe responder a qualquer questão que ali seja colocada.”

Primeiras polémicas

Em julho, o ministro fez os primeiros esclarecimentos, sobre as polémicas obras no seu monte no Alentejo e da deslocação de um atrelado apreendido.

Material legislação

O governante disse que “aplicou a lei” no que diz respeito ao uso do carro que pertencia ao traficante Xuxas, assim como televisões, sofás e equipamento de ginásio, apreendidos pela PJ. Escudou-se numa legislação de 2007.

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