Chefe de Estado destacou a resiliência do tecido económico português nos anos da pandemia.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, antecipou esta quarta-feira um excedente orçamental superior a 0,1% este ano e previu um 2026 mais complicado.
"Vai haver 'superavit' e superior a 0,1%, também não é muito difícil, basta olhar para a economia portuguesa, falta, no caso da gestão financeira, um mês e dez dias", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Leiria, à margem do 15.º Encontro PME Inovação.
Promovido pela COTEC Portugal, no encontro a empresa i-charging, do Porto, ganhou o Prémio PME Inovação COTEC-BPI, galardão que distingue as empresas nacionais que se destacam pela sua aposta em inovação e competitividade.
"Quem conhece como é a gestão das contas públicas, está nas mãos do Estado, mas eu apostaria que é um superavit e ainda bem que sim, porque o ano que vem é mais complicado em termos da dívida pública relacionada com os fundos estruturais", avisou, assinalando que há uma "aceleração ainda escassa" neste campo.
O chefe de Estado salientou que o que "se está a passar com a economia portuguesa é que o tecido empresarial está a aguentar e o Estado está a gerir em continuidade em consenso nacional as contas públicas", para referir ainda indicadores relativos ao crescimento económico.
Neste aspeto, sustentou que "é verdade que o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] pesa mais ou pesa menos e o Portugal 2030 conforme haja menos atraso ou mais atraso, conforme a administração pública mude mais ou mude menos e precisa de mudar mais, e a contratação pública mude mais ou mude menos e precisa mudar mais".
Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa realçou haver "um grande mérito do setor empresarial e nesse setor empresarial um enorme mérito do universo das PME [pequenas e médias empresas]", reconhecendo que "o que impressiona é o que o país mudou e está a mudar pelo papel das empresas, dos empresários, dos trabalhadores".
"(...) Mas precisa de mudar mais, porque os outros também vão precisar de puxar pela vida e mudar mais", alertou, observando que alguns países "mais fortes não estão em boa forma nem financeira, nem económica, mas vão fazer tudo para estar".
No discurso, onde recuou à pandemia de covid-19 para destacar a resiliência do tecido económico português, o chefe de Estado referiu que essa foi a "grande lição" nos anos da pandemia e nos que se seguiram, o que "explica a situação económica em que o país está hoje".
"Porque o mundo não está bem, está indefinido em questões fundamentais, porque a Europa não está melhor. Não diria que está pior do que o mundo, que é difícil, mas está numa situação difícil", declarou.
Dando como exemplo "economias poderosas a arrancarem lentamente" ou "problemas de reconstrução de unidade" e de segurança no continente europeu que "não havia há não sei quantas décadas", o chefe de Estado apontou ainda "problemas de relacionamento com outros aliados", que "são permanentemente repensados no dia-a-dia", e "atraso científico e tecnológico".
"Com a pandemia ficou mais claro que nos atrasámos em relação aos Estados Unidos da América e às várias 'Ásias'", considerou o Presidente da República, para realçar o panorama que se seguiu em Portugal, "largamente mérito do tecido empresarial português".
A este propósito, elencou "exportações firmes, a aguentarem-se e a quererem crescer, situação de efetivo pleno emprego, até com alguns setores com falta de mão de obra", "investimento interno e externo a considerar Portugal um destino apetecível", e "finalmente, um consenso que não tinha havido nunca em Portugal sobre o equilíbrio das contas públicas".
"Parecemos alemães. No momento em que os alemães parecem não se importar, no fundo ficam angustiados, mas não o dizem, com deficit ou superavit, nós discutimos se vai haver menos 0,1% este ano ou mais", acrescentou.
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