Líder do BE juntou-se à concentração destes trabalhadores no Campus de Justiça.
A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, considerou esta sexta-feira que o Governo, apesar de estar em gestão, pode e deve resolver os problemas das condições de trabalho dos oficiais de justiça, acusando o executivo de não ter cumprido as promessas.
Mariana Mortágua juntou-se esta sexta-feira, em solidariedade, à concentração destes trabalhadores no Campus de Justiça, em Lisboa, o que mereceu o agradecimento do presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, António Marçal.
"O Governo prometeu que iria resolver os problemas em 2023. O Governo entrou em gestão no final de 2023, teve um ano para resolver os problemas e conseguiu apresentar um estatuto, o problema é que o estatuto que apresenta é um desrespeito para com estas pessoas", criticou.
Na opinião da líder do BE, "o Governo não fez porque não quis" as promessas em relação às condições laborais dos oficiais de justiça.
"Pode ainda fazê-lo e era importante que se cumprissem essas promessas para com os profissionais, os oficiais de justiça, e também outros profissionais que são quem garante os serviços públicos em Portugal", desafiou.
Segundo Mariana Mortágua, o facto de o Governo estar em gestão não pode servir como justificação, uma vez que "a promessa foi quebrada".
"O Governo prometeu e não cumpriu e nós não queremos deixar que essas promessas sejam esquecidas", disse.
A líder bloquista considerou que "estas pessoas têm razão naquilo que estão a exigir" e "as suas razões devem ser lembradas".
"Este é um dos compromissos eleitorais do Bloco de Esquerda porque é fácil falar sobre justiça, é fácil falar sobre quanto tempo demoram nos processos, mas é difícil depois, quando chega a altura, tomar as medidas que são corajosas e determinantes para mudar o funcionamento do sistema judicial", condenou, referindo que algumas dessas medidas "dizem respeito precisamente às condições de trabalho dos oficiais de justiça".
Cerca de uma centena de funcionários judiciais manifestaram-se esta sexta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, e exigiram respostas às suas reivindicações com uma greve que, segundo o sindicato, regista perto de 80% de adesão a nível nacional.
Convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), a greve às manhãs de trabalho deixou o Juízo Central Criminal de Lisboa sem funcionários esta sexta-feira de manhã, num retrato que, segundo o presidente do SFJ, António Marçal, se repete facilmente noutros pontos do país diariamente, face ao défice de profissionais.
Questionada sobre as mais recentes notícias sobre a TAP, Mortágua referiu que na véspera já tinha tido oportunidade de se pronunciar sobre a companhia aérea e que "foi feita uma comissão de inquérito e que as notícias que hoje saem foram todas escrutinadas e mencionadas durante a comissão de inquérito".
"Eu hoje gostaria de me focar na Justiça. A Justiça é demasiado importante para poder ser atropelada sempre pelo tema do dia e hoje quero falar de Justiça do ponto de vista que raramente é falado que é dos seus trabalhadores", justificou.
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