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Correio da Manhã

Política
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Sócrates: milhões da Venezuela investigados

Crime de corrupção imputado ao ex-governante tem origem nas suspeitas de favorecimento ao Grupo Lena.
Ana Luísa Nascimento e Tânia Laranjo 7 de Abril de 2015 às 07:55
José Sócrates assinou acordo com Hugo Chávez (morreu em 2013)
José Sócrates assinou acordo com Hugo Chávez (morreu em 2013) FOTO: António Cotrim/Lusa

O Grupo Lena foi largamento beneficiado durante os governos de Sócrates (2005-2011). Esta é uma das convicções dos investigadores do inquérito à operação Marquês, que levou à detenção do ex-primeiro-ministro, indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção. O Ministério Público sustenta que o grupo de Leiria conseguiu negócios, nomeadamente na Venezuela, muito por interferência direta de José Sócrates. Aliás, é dado como exemplo disso uma viagem do ex-governante aos EUA com quadros do Grupo Lena (em que não contou com o seu amigo Carlos Santos Silva, também em prisão preventiva). Nesse encontro, Sócrates pretenderia fazer, segundo a sua própria designação, "diplomacia empresarial", ou seja, a ponte entre os gestores do grupo de Leiria e o vice-presidente de Angola.

"Tal proximidade entre o ora Recorrente e Grupo LENA veio a gerar reflexos na dimensão dos contratos celebrados por empresas daquele Grupo com o Estado Português, que adjudicou ao Grupo LENA contratos de valor superior a 200 milhões de euros, entre 2007 e 2011", diz ainda o Ministério Público, considerando que os mais de 20 milhões de euros de que Sócrates dispunha tinham sido pagos por esse grupo.

Só na Venezuela, após um acordo assinado em 2008 que levou José Sócrates àquele país, o Grupo Lena lucrou 146 milhões de euros com um primeiro contrato, assinado em 2010, para a construção de 12500 casas pré-fabricadas e um complexo industrial no âmbito do projeto de habitação Gran Mision Vivienda.
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