Maria da Graça Carvalho sublinhou que tratar os resíduos "custa muito caro à sociedade, ao orçamento de Estado".
A ministra do Ambiente defendeu esta sexta-feira que a redução de resíduos sólidos não é só uma questão ambiental, é também ética e económica, e anunciou que em 2027 haverá alternativa aos sacos plásticos leves nos supermercados.
"Já não é só uma questão ambiental, é também uma questão ética, de compromisso com as novas gerações, porque os resíduos, quando os fazemos e não os reutilizamos, têm de ser tratados e tratar custa caro", afirmou Maria da Graça Carvalho.
A ministra do Ambiente e Energia sublinhou que tratar os resíduos "custa muito caro à sociedade, ao orçamento de Estado" e, quando não são tratados, "também custa caro", porque Portugal paga "grandes multas à Comissão Europeia".
"Só por plástico, pagámos nestes últimos três anos 600 milhões de euros (ME). Quando fazemos resíduos estamos a gastar orçamento de Estado que não vai para outras coisas, que não vai para a Saúde, para a Educação ou para questões ambientais e para melhorar a nossa qualidade de vida, portanto, é uma missão de todos nós", disse.
Entre as opções à disposição de qualquer cidadão, está ir às compras e comprar a granel, como antigamente, bem como cozinhar ou ir ao restaurante e levar para casa o que sobra para reaproveitar, sugeriu a ministra, lembrando que "a quantidade de biorresíduos domésticos, em Portugal, é muito grande".
A ministra falava aos jornalistas da necessidade de uma "mudança de mentalidade" à margem da cerimónia comemorativa dos 35 anos da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão, em Tondela, no distrito de Viseu.
"A nossa meta europeia para deposição em aterro é de 10% em 2035. Quando chegámos, em abril de 2024, estava em 59% e, neste momento, diminuímos para 54%, mas estamos muito longe", reconheceu.
Reduzir a taxa de deposição em aterro, defendeu a governante, "tem que ser uma luta do governo, das autarquias", e "da sociedade civil, das grandes superfícies, das distribuidoras" e dos cidadãos.
Defendeu que é necessário "mudar a mentalidade e os procedimentos, para que haja cada vez menos resíduos", admitindo mesmo que "já se devia ter mudado".
"Agora, estamos a tentar novas alternativas, para no [próximo] ano não utilizarmos sacos de plástico leves e termos alternativas a esses sacos", adiantou.
Neste sentido, o Governo está a trabalhar com a associação dos supermercados que já apresentou alternativas aos sacos de plástico leve, utilizando "outros materiais", como por exemplo, de tecido.
"Produzimos, por ano, 519 quilos de resíduos, portanto, há zonas do país que produzem, por pessoa, por dia, mais de dois quilos de resíduos, muito acima das metas europeias e, sem tendência para diminuir, temos tendência para aumentar", reconheceu.
Aos jornalistas, a ministra disse que há medidas a decorrer no país, algumas, apoiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), como a "utilização e valorização do uso de biometano".
"Temos agora um conjunto muito alargado de projetos que produzem um gás renovável, incentivámos muito essa produção e agora com toda a legislação que torna possível e simplificámos os procedimentos para as autorizações dos projetos", disse.
Maria da Graça Carvalho acrescentou que estão em curso projetos de biometano em cidades como Évora, Beja, Faro e Olhão que "já estão, parcialmente, a ser alimentadas com biometano".
Também a produção de combustível derivado dos resíduos, "que se chama a valorização energética da fração resto" é outra das medidas que a governante realçou aos jornalistas para a redução dos resíduos sólidos.
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