Ministro Luís Neves afirmou que o Governo "não aceita ações deste tipo".
O ministro da Administração Interna admitiu esta sexta-feira que possa ser considerado "um crime de natureza terrorista" o ataque com um engenho explosivo contra os participantes da Marcha pela Vida, no sábado, em Lisboa.
"É a execução de um crime de ódio. Na minha opinião e vou dá-la porque fui diretor de uma unidade contraterrorismo quase 12 anos e fui diretor nacional de uma polícia que investiga estes crimes, poderemos estar perante um crime de natureza terrorista", disse aos jornalistas Luís Neves, no final da cerimónia que assinalou os 50 anos do Corpo de Intervenção da PSP.
O ministro sustentou que o Governo "não aceita ações deste tipo" e "repudia transversalmente todo este tipo de atos" em que um homem arremessou um objeto incendiário, do tipo 'cocktail molotov', que acabou por não explodir, contra os participantes da Marcha pela Vida, que reuniu cerca de 500 pessoas no sábado passado em Lisboa.
O ministro destacou ainda "a pronta ação" da Polícia de Segurança Pública, sustentando que a investigação está a decorrer", e considerou que "tem que haver tolerância" e "respeito por opiniões diferentes".
Luís Neves já tinha reagido por escrito, condenando o "extremismo violento" contra a Marcha pela Vida.
A Marcha pela Vida, realizada no sábado à tarde no centro de Lisboa, terminou com um incidente, sem feridos, em que uma pessoa atirou um objeto incendiário, do tipo 'cocktail molotov', contendo gasolina, na direção dos participantes.
De acordo com a PSP, o suspeito, que não participava na manifestação, foi detido no local.
No momento do incidente, participavam no protesto cerca de 500 pessoas, incluindo crianças e bebés. O engenho embateu junto de um grupo de manifestantes, mas não chegou a deflagrar no momento do impacto.
Ainda assim, a PSP relatou, em comunicado, que o incidente gerou "um clima de alarme e perturbação no local" e algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável.
Além do suspeito, estavam no local outras pessoas, que acabaram por fugir e que, segundo a PSP, estariam integradas "num grupo alegadamente de conotação anarquista, tendo mais tarde sido identificados três membros em outra artéria".
Depois de ter sido ouvido por um juiz, o homem saiu em liberdade e sujeito a apresentações periódicas e proibição de frequentar o local do incidente.
O PSD pediu entretanto uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna para "apurar os factos" sobre o incidente com um objeto na Marcha pela Vida.
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