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Moção de Pureza acredita que espaço do Bloco de Esquerda "não deixou de existir" e propõe nova organização

Marisa Matias manifesta-se confiante sobre espaço da esquerda progressista em Portugal.

28 de novembro de 2025 às 10:19

A moção 'A', encabeçada pelo bloquista José Manuel Pureza, acredita que o espaço político do BE "não deixou de existir", apesar da trajetória de queda eleitoral, e vai propor na 14.ª Convenção uma nova forma de organização do partido.

"Acreditamos todos e os sinais estão aí: o espaço do Bloco não deixou de existir", considerou Marisa Matias, em declarações à agência Lusa, em antecipação da reunião magna bloquista que se realiza este fim de semana, em Lisboa.

A dirigente do BE e antiga candidata presidencial reconheceu que o momento é difícil e os resultados eleitorais do partido "foram muito negativos", contudo, manifestou-se confiante de que "a esquerda progressista continua a ter espaço em Portugal".

"É uma questão de sabermos reganhar a confiança das pessoas que se identificam connosco", defendeu.

Para responder às críticas da oposição, mas também de apoiantes da própria moção 'A', que falam num "centralismo excessivo" no Secretariado e pedem maior atenção aos militantes de base, a moção afeta à atual direção vai avançar com uma nova forma de organização interna tripartida.

Tal como a Lusa noticiou esta semana, a ideia consiste em criar a figura de um "secretário da organização", que terá como objetivo "dialogar permanentemente com as estruturas locais" e auxiliar o trabalho do coordenador.

Desta forma, o BE terá a figura de coordenador -- que deverá ser José Manuel Pureza, uma vez que a moção 'A' elegeu 80% dos delegados à Convenção -, um deputado no parlamento -- que deverá ser Fabian Figueiredo, segundo nome na lista por Lisboa -, e esta terceira figura de secretária da organização do partido, que à partida será uma mulher.

Apesar de reconhecer que a lista apresentada pela moção 'A' aos órgãos nacionais "tem alguns nomes de continuidade", incluindo o seu, e "não há uma mudança radical do ponto de vista da orientação política", Marisa Matias realçou que "há uma mudança significativa na forma de fazer a política" e algumas caras novas que estarão pela primeira vez em órgãos nacionais.

A lista da moção 'A' à Mesa Nacional, à qual a Lusa teve acesso, é encabeçada por José Manuel Pureza, seguida de nomes de continuidade como Isabel Pires, Fabian Figueiredo, Marisa Matias e João Curvêlo (que volta a integrar este órgão).

Mariana Mortágua surge em sexto na lista, que conta ainda com nomes que já integram este órgão como Joana Mortágua, José Soeiro, a candidata presidencial Catarina Martins, Pedro Filipe Soares, Jorge Costa, ou Andreia Galvão (que recentemente substituiu Mortágua no parlamento).

De um total de 80 nomes, surgem algumas novas candidaturas à Mesa, como é o caso da ex-eurodeputada Anabela Rodrigues, ou bloquistas como Daniel Borges, a vereadora em Lisboa Carolina Serrão, António Soares, Joana Neiva ou Maria Escaja, deputada municipal na capital.

Já na lista à Comissão Política, também encabeçada por Pureza, recandidatam-se figuras como Fabian Figueiredo, Isabel Pires, Catarina Martins, Andreia Galvão, Joana Mortágua, José Soeiro, Marisa Matias e Miguel Cardina, mas surgem também alguns nomes novos, entre estreias e regressos, como é o caso de Bruno Góis, Daniel Borges, João Curvêlo, Mafalda Brilhante ou António Soares.

De saída deste órgão está Mariana Mortágua, assim como os dirigentes Jorge Costa, José Gusmão, Leonor Rosas, Pedro Filipe Soares ou Moisés Ferreira.

No caderno de contributos à 14.ª Convenção, um conjunto de bloquistas afetos à moção 'A' deixam críticas à atual direção, considerando que "a fórmula atual está esgotada".

Este grupo -- que inclui dirigentes como Andreia Galvão, Leonor Rosas ou o ex-deputado Nelson Peralta - critica o "centralismo excessivo" do Secretariado que secundariza órgãos como a Mesa Nacional e a Comissão Política e leva a uma falta de democracia interna que afasta militantes de base.

Estes dirigentes apontam "erros políticos" à atual direção, como a polémica dos despedimentos de funcionárias que tinham sido mães recentemente, mas também criticam um "modelo de partido pouco militante", uma "indefinição programática, ambiguidade estratégica (face ao PS e face à UE), pouca ligação a setores populares" e um "desinvestimento na juventude".

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