"Eu quero ganhar as eleições europeias, e vou lutar por isso e estou convicto de que vou conseguir", revelou o líder do PSD.
O líder do PSD, Luís Montenegro, assegurou esta quinta-feira que será "o primeiro a sair" caso faça uma avaliação negativa das eleições europeias, e considerou que Pedro Passos Coelho tem condições para ser candidato à Presidência da República.
Em entrevista ao canal televisivo SIC, conduzida pelo jornalista Bernardo Ferrão, Luís Montenegro afirmou que ainda não tem uma "decisão fechada" quanto ao cabeça de lista do PSD para as eleições europeias, em 2024, apesar de já ter "algumas ideias".
"Eu quero ganhar as eleições europeias, e vou lutar por isso e estou convicto de que vou conseguir. Nós vamos lutar e construir uma força para ganhar as eleições", declarou.
Num cenário de mau resultado, Montenegro admitiu que pode até "decidir não continuar" na liderança do PSD dependendo da "dimensão do resultado", salientando que vive "muito bem" com as suas responsabilidades.
"Se não tiver a vitória, eu tenho que analisar o contexto do nosso resultado. Se for um contexto que me dê uma garantia de que eu estou no bom caminho, de que eu estou a fazer um trabalho que vai ter resultado, eu continuarei. Se chegar eu próprio à conclusão de que não há essas condições, eu serei o primeiro a sair", perspetivou.
Interrogado sobre uma eventual disputa pela liderança do PSD com o atual autarca de Lisboa, Carlos Moedas, Montenegro salientou que se, quando acabar o seu atual mandato de presidente social-democrata, fizer uma avaliação "no sentido de ser recandidato", irá disputar essas eleições "com quem quiser", incluindo com Moedas.
"Eu não tenho nenhum temor de disputar eleições. Grande parte da minha vida foi isso, eu já perdi e já ganhei eleições", referiu.
Interrogado se gostava que Pedro Passos Coelho se candidatasse à Presidência da República, Luís Montenegro respondeu que o ex-primeiro-ministro tem uma qualificação "única no país, que o habilita a ser quase tudo aquilo que se pode ser numa sociedade, seja no setor público, seja no setor privado".
"Ele escolherá aquilo que for melhor e aquilo que corresponder às suas vontades e às suas expectativas. (...) Ele tem condições para isso para isso e muito mais, até tem condições para cargos internacionais. É uma questão que só ele pode aferir a avaliar", salientou.
Questionado sobre uma eventual candidatura de Passos Coelho à liderança do PSD, Montenegro considerou que essa pergunta "não faz nenhum sentido".
Interrogado se não considera que isso possa estar nos planos de Passos Coelho, o atual líder do PSD respondeu: "Não sei se está se não está, porque eu não estou na cabeça dele".
"Acho que, colocar a questão como coloca, não é abonatório para a personalidade do doutor Pedro Passos Coelho e eu não sou capaz de corroborar ou de entrar nesse tipo de exercício mental, académico, abstrato, como quiser... acho que essa questão não se coloca, mas, pronto, é a minha convicção", referiu.
Nesta entrevista, Montenegro referiu ainda que não tem "nenhum problema interno" no PSD, assegurando que "o partido tem colaborado a todos os níveis".
"Se algum dia alguém quiser disputar a liderança comigo, pode vir que eu marco eleições", garantiu.
Montenegro assegurou ainda estar "preparado para ir a eleições com o doutor António Costa" e afirmou que "até gostava" que o atual primeiro-ministro fosse o seu adversário nas legislativas.
Questionado se prefere disputá-las com Costa ou com Pedro Nuno Santos, Montenegro respondeu: "Eu gostava mais que fosse com ele [Costa]".
"O doutor António Costa devia ser responsabilizado, porque o país acabou por não o responsabilizar nas últimas eleições - até lhe conferiu uma maioria absoluta - mas os efeitos das políticas do PS (...) são absolutamente nefastos", salientou.
Montenegro foi omisso quanto à relação que pretende manter com o Chega, salientando que, neste momento, o partido liderado por André Ventura não é a sua preocupação.
"O Chega faz o trabalho dele, faz pela vida, e eu faço pela minha, e eu não tenho nenhuma preocupação com os outros partidos, a não ser uma coisa: eu quero ganhar os eleitores que votaram neles", disse.
Questionado onde ficam as linhas vermelhas com o Chega, Montenegro respondeu que "ficam em casa, ficam no bolso, ficam num sítio qualquer", mas não ficam na sua preocupação.
Interrogado se, em cenário de eleições, admite que possa haver algum acordo com o Chega, Montenegro respondeu: "Nós falamos nessa altura, está bem?".
Questionado se isso significa que não "quer fechar essa porta", o líder do PSD disse: "Nem abrir, nem fechar, nem deixar entreaberta".
"É zero. É uma questão que, para mim, hoje, é zero", vincou.
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