Opção de Luís Montenegro foi "apostar no investimento para dar resposta a problemas públicos que se encontravam por resolver".
O secretário de Estado do Orçamento fez esta quarta-feira um contraponto entre a gestão orçamental de António Costa e a governação de Montenegro, afirmando que, em 2024, o executivo não usou receita para brilharetes, mas para responder a "deficiências crónicas".
Numa audição sobre a Conta Geral do Estado (CGE) de 2024, José Maria Brandão de Brito recordou que o orçamento de 2024 foi executado em três quartos do ano do ano pelo primeiro Governo de Luís Montenegro, mas com base no Orçamento do Estado apresentado pelo anterior executivo do PS, liderado por António Costa, vincando que quando existe uma transição entre governos há uma maior dificuldade de execução das contas.
Apesar de ser um ano de transição, o governante salientou que 2024, o primeiro da governação de Luís Montenegro (PSD/-CDS-PP), ficou marcado por um dinamismo da economia, visível no crescimento da receita dos impostos.
Nesse contexto, a opção do executivo foi apostar no investimento para dar resposta a problemas públicos que se encontravam por resolver, disse.
"Este bom desempenho da receita fiscal não foi utilizado para fazer brilharetes do ponto de vista orçamental, foi devolvido à sociedade, foi canalizado para colmatar deficiências, nalguns casos, crónicas, para mitigar injustiças crónicas que existiam ao nível social, das carreiras dos funcionários públicos e também para reforçar o investimento", afirmou, procurando marcar uma diferença relativamente à gestão das finanças públicas da governação anterior do PS.
O governante disse que se observou um abrandamento do ritmo de redução da dívida pública de 2023 para 2024, o que justificou com o facto de o Governo ter avançado com um reforço das carreiras na função pública, com uma subida das pensões, com uma redução da carga fiscal e com a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O deputado do PSD Pedro Coelho acusou o PS de um "claro desencontro" entre o que desejava para a economia em 2024 e o que sucedeu, dando vários exemplos, como a diferença entre um crescimento do PIB esperado de 1,5% e um crescimento real de 2,1% em 2024.
O deputado do PS Carlos Pereira criticou o desempenho da economia, lembrando que o PSD apontava para um nível de crescimento na ordem de 3%.
Em resposta às críticas da bancada socialista, Brandão de Brito disse que "em 2025, [o PS] vai ver que Portugal é uma economia que se recomenda", comparado com os países da coesão.
O deputado da IL Mário Amorim Lopes disse que a "oposição faz bem ao PS", porque, agora, reconhece que Portugal deve comparar os seus níveis de crescimento com os países da coesão.
Sobre o ano de 2025, o secretário de Estado disse que "o investimento público está em franca aceleração". A afirmação levou Carlos Pereira a contrapor que, de acordo com os dados conhecidos até agora, o investimento público está pior em 2025 do que em 2024, questionando se a aceleração a que o secretário de Estado se refere aconteceu em novembro e já neste mês de dezembro.
Ao longo da audição, o governante foi confrontado com o facto de o Tribunal de Contas ter emitido um parecer negativo à CGE de 2024, por estar desconforme com a Lei de Enquadramento Orçamental (LEO).
Questionado pelo deputado do Chega Eduardo Teixeira sobre o assunto, o secretário de Estado respondeu que existem "muito poucos países na Europa" cujos orçamentos se encontram conformes com a "diretiva que subjaz às obrigações" de enquadramento orçamental e "aqueles que fizeram mais progressos" demoraram duas décadas a fazê-lo.
Brandão de Brito admitiu que ainda não será possível garantir a certificação da Conta Geral do Estado de 2025 e de 2026.
"Temos que encarar isto com realismo", afirmou, garantindo que "o cumprimento da lei não está esquecido", mas que "é de todo impossível" garanti-lo neste momento.
O governante disse que o objetivo é obter a certificação "na vigência desta legislatura", ou seja, até 2029, esperando que o atual executivo possa "deixar esta herança positiva".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.