Ação de campanha decorreu à porta de uma loja do cidadão, em Lisboa.
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Um encontro fortuito à porta da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras, em Lisboa, trouxe a destaque a principal preocupação dos candidatos do PURP (Partido Unido dos Reformados e Pensionistas): A injustiça em que se encontram os antigos combatentes da Guerra Colonial.
Os que sobrevivem, estão na casa dos 70 anos, na esmagadora maioria com pensões muito baixas e votados ao ostracismo pelos governos.
Recebem uma pensão anual de 150 euros, sempre em outubro. Fernando Loureiro, de 71 anos, presidente do partido e combatente na Guiné, e Francisco Silva, de 72, com 42 meses de serviço militar em Moçambique, em 1970-73, concluíram que isto é uma afronta.
A ideia da ação de propaganda do PURP, esta quinta-feira, apontava outro alvo. Fernando Loureiro e uma meia dúzia de militantes queriam protestar contra os martírios que as pessoas passam nas Lojas do Cidadão.
"É mais complex do que simplex, ando há sete meses às voltas por um documento que um primo, emigrante, precisa para pedir a reforma em França", contou o presidente do PURP.
Aconteceu, porém, que um utente da Loja da Cidadão, abordado à saída por um militante PURP para lhe entregar um folheto, decidiu dar troco: "Injustiça é o que eu sinto", declarou Francisco Silva, nascido e criado em Moçambique, filho de pais portugueses e que nunca teve outra nacionalidade. Fez serviço militar obrigatório, acabou com medalha como 1º Cabo de Transmissões.
Até vir para Portugal, em 2001, trabalhou como comerciante de distribuição. No regresso teve um problema com o reconhecimento da carta de condução e na aflição não arranjou melhor do que varrer ruas. "Tenho uma reforma de 290 €", queixou-se Francisco.
"Eram 274 e recebi um aumento de 10 e outro de 6. Com estas dificuldades, estou mesmo à espera dos 150 euros da Segurança Social".
Fernando Loureiro, cabeça de lista do PURP por Lisboa, reagiu: "O que reclamamos é um salário mínimo para os antigos combatentes. Está aqui, logo em primeiro nas nossas causas".
Embora tenha uma existência desafogada – este minhoto de Barcelos veio para Lisboa aos 13 anos e começou a vida de bancário como paquete no BPA – conhece os dramas de antigos combatentes: "Agora há moda do partido dos cães ‘lulus’, mas as pessoas estão acima dos animais.
Paga-se 3,50 € por voto aos que têm mais de 50 mil, mas não há dinheiro para garantir vida digna aos antigos combatentes. Nos EUA não é assim!"
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