Paulo Raimundo comentou a evolução das negociações na concertação social sobre a revisão da lei laboral.
O secretário-geral do PCP acusou esta terça-feira o Governo de recorrer, nos últimos oito meses, a "pressões e chantagem" em vez de negociar a revisão da lei laboral e pediu ao executivo que "aceite e aprenda com a derrota".
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Sagalexpo, na FIL, em Lisboa, Paulo Raimundo comentou a evolução das negociações na concertação social sobre a revisão da lei laboral, lamentando que, num momento em que o custo de vida aumenta, se esteja a discutir "mais precariedade" e "desregulação dos horários de trabalho":
"Para que é que o Governo está a procurar impor? Não vai pela porta, vai pela janela, se não vai pela concertação, vai para o parlamento. Para quê? Qual é esta opção? Isto é uma opção? Sabemos bem a quem serve. Os únicos que ganham com isto é o grande patronato", sustentou, acusando o executivo de "menosprezar a força dos trabalhadores".
Questionado sobre a continuidade das negociações com a participação da UGT, o líder do PCP recordou que "houve uma greve geral que uniu as duas centrais sindicais" e que "deu uma resposta inequívoca de rejeição ao pacote laboral", acrescentando que não há mais espaço para negociar e que o "Governo devia ter a humildade de aceitar a derrota e aprender com a derrota".
Paulo Raimundo afirmou também que o Governo, nesta revisão da lei laboral, tem seguido uma tática de "lançar tudo tudo para ganhar muito" e de "lançar tudo mal para ficar com o mais possível de coisas más".
"Não estamos a falar em oito meses de negociações. Nós estamos a falar em oito meses de manobras e de pressões e de chantagem. É isto que estamos a falar", afirmou, acrescentando que a CGTP foi afastada da discussão quando apresentou um "caderno de encargos" como "base de discussão sobre o que é preciso resolver" na lei laboral.
Numa feira dedicada à exportação do setor agroalimentar português, Raimundo também abordou a subida dos preços no cabaz alimentar, considerando que o país está perante uma "situação dramática" sobre a qual "é preciso intervir rapidamente"
"As pessoas estão a pagar mais e aqueles que vendem os produtos à grande distribuição não estão a receber mais (...) Se nós estamos a pagar mais, onde é que fica essa margem? Assim se explica o porquê da grande distribuição ter tido os maiores lucros de sempre no ano passado", disse.
O líder comunista defendeu que é preciso "atacar nas margens" de lucro e que medidas como a isenção de IVA num conjunto de bens essenciais não funcionam "sem serem acompanhadas pela fixação de preços".
Sobre a substituição do secretário de Estado da Gestão da Saúde, anunciada esta manhã pela Presidência da República, Raimundo disse que a falta de explicações sobre os motivos da troca é um "tique de um Governo que quer impor tudo, inclusive o seu próprio calendário", mas ressalvou que não faz desta saída "um caso".
"O meu problema nunca foi, nem é, nem nunca me ouvirão falar do caráter da pessoa A, B ou C. Não conheço as pessoas de lado nenhum. Mesmo que conhecesse, não o faria. É uma questão de delicadeza. O que importa é a política", frisou.
Questionado sobre a contratação da ferramenta NewsWhip pelo Governo, Raimundo recusou aprofundar o tema, dizendo não querer "alimentar um bate papo que desvie daquilo que é fundamental".
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