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Paulo Raimundo defendeu que "o que vai derrotar o pacote laboral vai ser a continuação da luta dos trabalhadores".
O secretário-geral do PCP considerou este sábado que o Governo agendou a discussão da reforma laboral no Parlamento "à má fila", o que "revela que está com medo e com pressa", e prometeu ficar atento a "golpadas institucionais".
Em declarações à agência Lusa e à RTP à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa, Paulo Raimundo afirmou que o Governo está "com receio e apressado".
"O facto de ter marcado para dia 18 [de junho o debate na Assembleia da República], à má fila, não revela coragem, não revela firmeza, revela exatamente o contrário, revela que está com medo e está com pressa", disse.
O secretário-geral do PCP defendeu que "o que vai derrotar o pacote laboral vai ser a continuação da luta dos trabalhadores" e disse que o seu partido vai estar "atento a manobras e golpadas do ponto de vista institucional".
O comunista aconselhou ainda o Governo a não confundir "uma maioria institucional pontual com a maioria social", alertando que "vai-lhe rebentar nas mãos".
Paulo Raimundo disse também não confiar na posição do Chega, que "é tão firme como um pacote de manteiga ao calor", até porque "diz uma coisa de manhã, mas diz outra coisa à tarde" e está "profundamente entalado".
Na ocasião, Paulo Raimundo respondeu também às críticas da líder da IL, assinalando o que considerou serem as "vantagens" destas declarações.
"A primeira é que cai a máscara à IL, revela o que é que são, quais são os seus objetivos, quais são os seus verdadeiros inimigos. Depois, cada vez que se fala mal dos sindicatos vindo daí, é mais gente que se sindicaliza, e quanto mais a IL se mantiver numa retórica e numa linha completamente absurda, anticomunista, quanto mais afirmar isso, mais gente vem ao PCP", sustentou.
Raimundo salientou também que os desacatos no final da manifestação no dia da greve geral não tiveram "nenhuma relação com a CGTP, pelo contrário, muito menos com o PCP".
Na quinta-feira, quanto comentava os desacatos, Mariana Leitão acusou a CGTP e o PCP de terem adotado "uma tónica agressiva, de completa inflexibilidade" em relação à reforma laboral, e considerou que essa postura contribui "para o aumentar das tensões".
Sobre a proposta do Governo para criar uma Prestação Social Única, o secretário-geral do PCP disse que o seu partido quer ver esta matéria discutida "com verdade, com rigor e com profundidade" e não dando ao Governo "um cheque em branco para a golpada".
"Se nós fizermos esta discussão com verdade e com tempo, há um conjunto de linhas, de mentiras, de demagogia, que vão desaparecer", afirmou.
Paulo Raimundo considerou também que não é o combate à fraude que move o executivo liderado por Luís Montenegro, que "fecha os olhos à fraude e ao dinheiro que sai para os paraísos fiscais".
Sobre as duas exigências colocadas pelo Chega para aprovar esta medida, o comunista classificou como "mais um número" do partido de André Ventura.
Na ocasião, o secretário-geral do PCP comentou também a promulgação pelo Presidente da República do diploma do Governo que regula a contratação pelos hospitais públicos de médicos em regime de prestação de serviços, os chamados tarefeiros.
Raimundo disse que "não é suficiente" para resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e defendeu que a fixação de mais médicos no sistema público.
"Temos muitos problemas de infraestrutura, temos muitos hospitais que precisam ser construídos, temos muitos centros de saúde que precisam ser renovados. Isso é tudo de verdade, mas o problema fundamental do SNS é a falta de profissionais e aqui é que é preciso apostar, não é criar mecanismos para que desapareçam mais", alertou.
O comunista defendeu ainda que "é preciso interromper" o "processo de desmantelamento" do SNS.
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