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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

PCP vai lutar pela democracia cultural em todas as circunstâncias, afirma Jerónimo de Sousa

Secretário-geral do PCP foi recebido em aplausos pelos militantes comunistas no Teatro Rivoli na comemoração do centenário do partido.

28 de novembro de 2021 às 17:28

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou este domingo que a cultura "não é, nem pode ser, descartável" e que o partido, à semelhança dos últimos 100 anos, vai continuar a lutar pela "democracia cultural" independentemente das circunstâncias.

"Aqui estamos, 100 anos cumpridos de vida, e aqui continuamos preparados para prosseguir a luta, sejam quais forem as circunstâncias em que tenhamos de intervir e assumir todas as responsabilidades que o povo nos queira confiar nos urgentes combates de agora e nos combates do futuro", afirmou Jerónimo de Sousa, no espetáculo comemorativo do centenário do PCP, no Porto.

O secretário-geral do partido, recebido esta tarde em aplausos pelos militantes comunistas no Teatro Rivoli, salientou que, nos últimos 100 anos, "o regime democrático mudou muito a face cultural do país", nomeadamente ao nível das condições de acesso e fruição, expectativas, reivindicações e práticas culturais.

Defendendo que se deveria ter "prosseguido um verdadeiro rumo de democratização cultural", Jerónimo de Sousa criticou as opções políticas dos Governos dirigidos pelo PS e pelo PSD, que disse terem como principal objetivo "substituir qualquer perspetiva de democratização cultural".

"Não foi essa a opção das políticas da direita empreendidas por sucessivos governos, dirigidos maioritariamente ora por PS, ora por PSD, agravando até limites insustentáveis a asfixia financeira, a instrumentalização clientelar, a desresponsabilização do Estado, a elitização, a integração internacional subalterna e estéril, a entrega ao mercado das políticas culturais", criticou.

Considerando que a cultura tem "vivido ultimamente dias ainda mais difíceis que agravaram todos os problemas que há muito enfrenta", o secretário-geral do PCP defendeu que o setor "não é, nem pode ser, descartável".

"Para o PCP, a cultura representa um potencial e um valor insubstituíveis de desenvolvimento, de libertação e emancipação individual, social e de afirmação social", referiu.

Aos militantes que esta tarde praticamente lotaram o Teatro Rivoli, Jerónimo de Sousa deixou a garantia de que o PCP continuará a contar, no futuro, como "força imprescindível e decisiva de transformação social".

"Em Portugal, não há avanço, conquista, progresso que não tenha contado com as ideias, o esforço, a luta dos comunistas [...]. Cá continuaremos, certos de que o futuro tem partido, pelo seu ideal, pelo seu projeto", acrescentou.

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