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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ministros vão 'revirar' as pastas

Novos governantes querem reunir com ministros de Passos.

26 de novembro de 2015 às 08:01

António Costa vai ser um bom primeiro-ministro?

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António Costa vai ser um bom primeiro-ministro?

António Costa, secretário-geral do PS, faz esta quinta-feira história: será o primeiro político em democracia a assumir o cargo de primeiro-ministro sem que o partido que lidera tenha sido o mais votado nas eleições legislativas. E chega ao XXI Governo Constitucional de mangas arregaçadas: a ordem é, além da tradicional passagem de pastas, analisar a fundo todos os dossiês ministeriais, o que vai obrigar a reuniões com ministros do executivo de Passos Coelho que não foram reconduzidos no executivo mais curto da história nacional.

A passagem de testemunho oficial entre o primeiro-ministro cessante, Passos Coelho, e o novo chefe de governo, António Costa, aconteceu esta quarta-feira, em São Bento, depois das 16 horas. O momento foi transversal a vários ministérios, em que alguns dos cessantes e novos inquilinos trocaram já informações.

Mas o processo só deverá ficar encerrado na próxima semana, quando alguns dos novos governantes reunirem também com aqueles que ocuparam o cargo por um período mais alargado: é o caso da Saúde, em que o novo ministro Adalberto Campos Fernandes deverá trocar impressões com Paulo Macedo – que já não integrou o último executivo de Passos – ou da Educação, com Tiago Brandão Rodrigues a recuperar dados junto de Nuno Crato. Afinal, quem sai esta q do poder só lá esteve pouco mais de três semanas e apenas treze dias em plenitude de funções. As conversas só ficarão terminadas na próxima semana. E a encerrar cerimónias, Passos Coelho ainda reúne esta quinta-feira uma última vez com Cavaco Silva.

O governo que lhe sucede, de António Costa, é um dos maiores desde 1976: 17 ministros e 41 secretários de Estado tomam esta quinta-feira posse no Palácio da Ajuda. Com estas alterações, num só mês a Assembleia da República vive um autêntico rodopio com vinte e uma saídas da bancada do PS diretamente para o executivo. Só na direção da bancada há cinco mudanças e a saída para o governo abre também portas a alguns ex-deputados, como é o caso de José Magalhães.

No PSD as contas apontam para o regresso de cerca de quinze elementos. A expectativa é de que todos os ministros e secretários de Estado cessantes assumam o lugar de deputados. No CDS saem pelo menos quatro, entre os quais figuras como Anacoreta Correia, um dos centristas mais críticos.

Clique para ler o especial Legislativas 2015: Portugal a votos

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