page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Presidente da Câmara de Gaia diz que Operação Babel manchou autarquia, mas sobretudo justiça

Eduardo Vítor Rodrigues abandona o cargo a 30 de junho.

23 de junho de 2025 às 17:10

O presidente da Câmara de Gaia, que abandona o cargo a 30 de junho, assumiu, esta segunda-feira, que o processo Babel, que levou à detenção do ex-vice-presidente Patrocínio Azevedo, manchou o projeto autárquico, mas manchou, sobretudo, a justiça.

"O assunto [processo Babel] manchou a câmara, manchou o projeto autárquico, manchou o presidente, manchou os vereadores, destruiu-o a ele [Patrocínio Azevedo], mas manchou, sobretudo, a justiça", considerou Eduardo Vítor Rodrigues no final da reunião extraordinária do executivo municipal que aprovou, com dois votos contra do PSD, o relatório de gestão e demonstrações financeiras consolidadas de 2024.

A Operação Babel, relacionada com a alegada viciação e violação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos em Gaia, tem 16 arguidos, incluindo Patrocínio Azevedo que, à data do processo, era vice-presidente de Câmara de Vila Nova de Gaia e que, nesta sequência, renunciou ao mandato.

Patrocínio Azevedo, que esteve cerca de 23 meses em prisão preventiva, foi libertado em abril, ficando sujeito a apresentações periódicas às autoridades três vezes por semana e proibido de contactar com os restantes arguidos.

Eduardo Vítor Rodrigues referiu que este processo manchou a justiça porque o ex-vice-presidente da câmara esteve 23 meses preso por, alegadamente, ter recebido uma mochila com 100 mil euros que, a meio do julgamento, se percebeu que não recebeu nada.

"Depois é mandado para casa e não se passa nada, por isso, é uma mancha no trajeto deste processo e acho que temos todos que sentir uma pequenina mancha na nossa estrutura institucional e no nosso sistema de poder", atirou.

E, a propósito de justiça, Eduardo Vítor Rodrigues, que foi condenado a perda de mandato por peculato de uso, disse que atualmente o país trata por igual quem rouba 10 ou 20 milhões de euros e quem vai à padaria com o carro da câmara.

"Eu tenho a sensação de que a minha saída serve, em primeiro lugar, para dizer à Associação Nacional de Municípios Portugueses e para dizer ao Governo que importa legislar porque um país em que a justiça se deixa manipular por denúncias anónimas e por jogadas de bastidores não é um presidente de câmara que está em jogo, é uma democracia toda", sublinhou.

Em sua opinião, é preciso refletir sobre isto porque um dia estará à frente destas instituições quem não se importe que lhe chame ladrão porque, se calhar, até o é e, portanto, não tem vergonha nenhuma.

"Eu tenho vergonha de participar num processo em que a degradação das instituições é evidente", frisou.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8