page view

Projetos de lei para apátridas passam à especialidade sem consenso à direita

Chega votou contra e CDS e IL também se demarcaram na votação dos projetos de lei do PSD, PS, BE e Livre.

09 de janeiro de 2026 às 16:09

O parlamento aprovou esta sexta-feira projetos de lei do PSD, PS, BE e Livre que preveem um caminho para a obtenção do estatuto de apátrida, mas o Chega votou contra e CDS e IL também se demarcaram.

Os diplomas, que serão agora discutidos na especialidade, regulamentam o acesso ao estatuto de apátrida a cidadãos que não tenham nacionalidade, após uma avaliação da situação de cada requerente, cumprindo os acordos internacionais sobre a matéria.

O Chega votou contra todos os projetos de lei e o CDS não aprovou nenhum projeto, abstendo-se no diploma do PSD, seu parceiro de Governo.

Já a IL votou a favor do diploma do PSD, votou contra o projeto do BE e absteve-se nos restantes (Livre e PS).

O estatuto foi aprovado em 2023, mas o diploma não foi regulamentado devido à queda do Governo de então e só agora o PSD promoveu um novo debate, na sequência da aprovação dos diplomas sobre nacionalidade, entrada de estrangeiros, retorno e criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras.

"Sem um procedimento não há proteção efetiva e sem proteção efetiva é um limbo jurídico", disse o deputado social-democrata Nuno Gonçalves na discussão dos projetos, na passada quarta-feira, recordando que o diploma irá permitir a quem esteja nessa situação um conjunto de direitos no acesso à saúde ou ao trabalho, entre outras matérias.

Os apátridas não têm uma nacionalidade e estavam num limbo jurídico.

Em 2024 foram registados 149 casos deste tipo, num processo complexo a que só pode aceder quem tiver perdido a nacionalidade de origem, quem for oriundo de países extintos ou quem nunca tiver sido cidadão nacional de outro país.

Vanessa Barata, do Chega, considerou que o diploma é um "cheque em branco": "O vosso projeto tem o efeito de chamada de que tanto acusaram a governação socialista".

Para a deputada, o PSD deixou de ser "um partido de controlo de fronteiras" para passar a "ser o parceiro silencioso do socialismo trotskista".

O diploma subscrito por toda a bancada parlamentar do PSD prevê o acesso à nacionalidade por pessoas apátridas ao final de quatro anos de residência legal no país, prazo que começa a contar "a partir do momento em que o cidadão entrega o requerimento nessa condição".

Os outros projetos contemplam também prazos para acesso à nacionalidade, variando apenas em procedimentos formais na entrada do processo e a contagem do tempo.

Pedro Delgado Alves (PS) disse no debate que os diplomas tinham condições para obterem um consenso entre os deputados, após discussão.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8