Dirigente socialista pede a divulgação do caderno de encargos e dos fins da função de "ranking de jornalistas".
O dirigente do PS André Moz Caldas exigiu esta segunda-feira ao Governo transparência sobre o uso da ferramenta NewsWhip, de monitorização de meios de comunicação social, pedindo a divulgação do caderno de encargos e dos fins da função de "ranking de jornalistas".
Numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Moz Caldas, membro do Secretariado Nacional do PS, pediu ao Governo uma "resposta política clara e transparência" e defendeu que o contrato celebrado torna-se "politicamente relevante" por criar "rankings individuais de jornalistas, classificando-os pelo número de notícias que produzem e pelo impacto que essas notícias têm".
Em causa está uma notícia do Correio da Manhã, segundo a qual a Secretaria-Geral do Governo (SGG) celebrou um contrato, no valor de cerca de 40 mil euros, com a empresa irlandesa NewsWhip para a aquisição de uma plataforma digital de análise preditiva baseada em inteligência artificial, destinada à monitorização de redes sociais e meios de comunicação online.
De acordo com o mesmo jornal, a ferramenta permite ordenar jornalistas em função do impacto das suas publicações, com o objetivo de antecipar crises mediáticas e ajustar a comunicação do executivo.
Em comunicado divulgado minutos antes do início da conferência de imprensa do PS, o Governo afirmou que a ferramenta contratada da NewsWhip é "um tipo de clipping moderno" que pesquisa em fontes abertas e de conteúdos públicos e rejeitou que seja usada para monitorizar jornalistas.
O PS exige que o Governo esclareça "para que fins é utilizada a funcionalidade de ranking de jornalistas", bem como quem tem acesso a essa informação, quer saber se a Comissão Nacional de Proteção de Dados foi consultada antes da celebração deste contrato, e ainda que "garantias existem de que esta ferramenta não é, nem será, utilizada para fins partidários".
André Moz Caldas pediu também a divulgação integral do caderno de encargos, argumentando que, embora neste caso não seja obrigatório, um "assunto desta delicadeza" exigia uma atitude de maior transparência por parte do executivo.
"Se o Governo não tiver nada a esconder, estas perguntas têm resposta o mais urgentemente possível nas próximas horas", rematou o também presidente da Assembleia Municipal de Lisboa.
O socialista disse não excluir iniciativas parlamentares ou de outro âmbito e recordou que no Reino Unido, entre 2019 e 2022, o mesmo fornecedor foi contratado pelo Governo e "o que começou como monitorização de desinformação acabou documentado num relatório de mais de 100 páginas sobre unidades governamentais que vigiavam jornalistas e políticos individualmente".
Para o dirigente do PS, "este caso não é um acidente", mas sim um padrão de um executivo que "revela uma dificuldade persistente em compreender o papel da comunicação social numa sociedade livre e democrática".
"Já o víramos na prática sistemática de evitar iniciativas em que os jornalistas possam questionar livremente e na preferência por aparições controladas, concebidas pela Central de Comunicação do Governo, para serem transmitidas sem contraditório. E já o viramos nas tentativas de impor novos modelos de governação à RTP e à Lusa que fragilizam a sua independência editorial", disse.
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