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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

PSD acusa PS de usar "rolo compressor da maioria" para censurar declarações de deputados

"PS quis apagar declarações de deputados, que usaram o seu tempo regimental, e soubemos o que foi o regresso ao lápis azul à democracia", afirma o partido.

28 de setembro de 2022 às 13:17

O PSD acusou hoje o PS de recorrer ao "rolo compressor da maioria" absoluta para tentar censurar declarações de deputados, depois de um episódio registado na Comissão de Poder Local durante a audição da ministra Ana Abrunhosa.

"O PS quis apagar declarações de deputados, que usaram o seu tempo regimental, e soubemos o que foi o regresso ao lápis azul à democracia e ao sistema político português", acusou o vice-presidente da bancada Luís Gomes, que esteve presente na comissão, numa referência aos tempos da censura.

O social-democrata condenou e lamentou a atitude da deputada socialista Isabel Guerreiro, que pediu para que fosse retirado das atas e da gravação da comissão o momento em que o deputado Carlos Guimarães Pinto pediu a demissão da ministra da Coesão Territorial.

"É absolutamente lamentável, não podemos condescender com este tipo de práticas", criticou Luís Gomes, defendendo que os deputados são livres de dizer o que quiserem dentro dos seus tempos regimentais.

O deputado social-democrata considerou, inclusivamente, que esta atitude do PS "fere a democracia e a Constituição"

A Iniciativa Liberal (IL) já tinha condenado esta atitude, através de uma publicação de Carlos Guimarães Pinto, na rede social Twitter.

"Agora mesmo na audição à Ministra da Coesão Territorial uma deputada do PS pediu para que a gravação da minha intervenção sobre os fundos atribuídos ao marido da ministra fosse apagada. Incrível. Inacreditável em democracia", escreveu o deputado da IL.

Em causa, está a notícia avançada pelo Observador que dá conta de que duas empresas do marido de Ana Abrunhosa receberam fundos comunitários da área por si tutelada.

Segundo o Expresso, o deputado liberal questionou esta manhã a governante sobre a "questão ética" subjacente ao facto de só uma das empresas detidas pelo cônjuge, a Thermalvet, ter recebido 133 mil euros da União Europeia (UE) e pediu que devolvesse o dinheiro ou se demitisse.

De acordo com o Observador, a Thermalvet, detida a 40% pelo marido de Ana Abrunhosa, recebeu 133 mil euros de um total de 303.275 euros, o que corresponde a mais de um terço dos fundos comunitários recebidos pelo país. Esta empresa foi fundada em outubro de 2020, 15 dias antes do arranque do projeto.

Já a Xiapu, empresa que conta com uma participação indireta do conjugue da ministra, recebeu 66.015 euros no quadro do programa Compete 2020.

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