Em causa está a decisão do atual presidente da Câmara Municipal de atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega, gerando várias críticas.
O PSD de Cascais afirmou, esta terça-feira, que a atribuição de pelouros aos vereadores do Chega resulta de um compromisso do presidente do executivo de trabalhar com todos os eleitos, sublinhando que essa escolha traduz respeito pelos eleitores.
"Nuno Piteira Lopes cumpriu a sua palavra, assumida antes, durante e após as eleições autárquicas. Em todos estes momentos, disse estar sempre disponível para trabalhar com todos os eleitos, independentemente do resultado das autárquicas", refere a concelhia social-democrata de Cascais, em comunicado.
Em causa está a decisão do atual presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes (PSD) de atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega, gerando várias críticas.
Na sequência desta decisão, os dois eleitos do PS, com quem o PSD tinha um acordo de governação, abdicaram dos pelouros, devolvendo-os à liderança do executivo (PSD/CDS-PP).
"Os eleitos do PS aceitaram a atribuição de pelouros, tendo sido assinado um acordo político de governação autárquica em Cascais, para 2025/2029. Um acordo que agora decidiram rasgar, colocando os interesses políticos acima dos interesses de Cascais, possivelmente porque se avizinham eleições internas, evidenciando-se divisões dentro do próprio partido", acusam os sociais-democratas.
O PSD de Cascais sublinha ainda que "a abertura de diálogo com todos os eleitos, bem como a atribuição de pelouros entre os eleitos locais, não é mais do que uma manifestação de respeito pela escolha dos eleitores e dos resultados eleitorais".
Citado na nota da concelhia do PSD de Cascais, o presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes, argumenta que "a diversidade e a pluralidade reforçam a cidadania e a participação".
"Desde que assumi funções, o meu partido passou a ser Cascais e posso afirmar-vos que não me vou desviar um milímetro do meu compromisso com os cascalenses", ressalva o autarca social-democrata.
Além do PS, a decisão de atribuir pelouros aos eleitos do Chega gerou também desconforto no CDS-PP, que também integra a liderança do executivo, depois de ter concorrido em coligação com o PSD nas últimas eleições autárquicas.
Na reunião pública de Câmara de Cascais, realizada esta manhã, o vereador centrista, Pedro Morais Soares, afirmou que o CDS-PP "não fez nem nunca fará nenhum acordo com o Chega" e informou que o partido iria reunir ainda esta terça-feira os seus órgãos para analisar a situação.
A agência Lusa contactou o CDS-PP para obter mais esclarecimentos, mas não obteve resposta até ao momento.
Por sua vez, ouvido pela Lusa, o ex-presidente social-democrata da Câmara Municipal de Cascais António Capucho (2001-2011) classificou esta decisão como "bizarra" e "inqualificável", instando o PSD a dar explicações aos munícipes daquele concelho do distrito de Lisboa.
"Por princípio, penso que o poder municipal não deve, não pode, ser alargado ao Chega, por razões de natureza ideológica e mesmo programática. Ainda por cima, havia uma maioria, resultante do acordo celebrado entre a AD (Aliança Democrática) e o Partido Socialista", apontou o antigo autarca.
A coligação PSD/CDS-PP perdeu, após seis mandatos seguidos, a maioria absoluta em Cascais nas eleições autárquicas de outubro, com a candidatura Viva Cascais, liderada por Nuno Piteira Lopes, a conseguir para a Câmara Municipal 30.258 votos (33,84%), com cinco eleitos.
O PS obteve 14.460 votos (16,17%), elegendo João Ruivo e Alexandra Carvalho, e em terceiro lugar ficou a candidatura independente liderada por João Maria Jonet, que conseguiu 13.203 votos (14,77%) e elegeu ainda António Castro Henriques.
O Chega obteve 12.954 votos (14,49%) e também conseguiu dois eleitos, Pedro Teodoro dos Santos e João Rodrigues dos Santos.
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