Hugo Soares destacou o rácio da dívida pública abaixo dos 90% e o excedente orçamental de 0,7%.
O líder parlamentar do PSD considerou que esta quarta-feira é "um dia absolutamente histórico" para Portugal e lamentou que a oposição, em particular o PS, não tenha dados os parabéns ao executivo pelos resultados orçamentais.
Em declarações aos jornalistas, Hugo Soares destacou o rácio da dívida pública abaixo dos 90% "pela primeira vez em muitas décadas" e o excedente orçamental de 0,7%, que disse ter sido conseguido "contra todas as piores perspetivas e os mais pessimistas".
"Os portugueses sabem o que custa um país viver em défice sucessivos e com dívida pública alta. Custa corte no investimento, corte nos salários, retração da despesa pública, dificuldades, significa austeridade. Isto é precisamente a antítese da austeridade", disse, defendendo que o executivo PSD/CDS-PP baixou impostos sobre empresas e famílias, aumentou o investimento público, bem como salários e pensões.
Quanto às críticas do PS de que este excedente não deve trazer satisfação ao Governo quando os portugueses são confrontados com o aumento do custo de vida, Hugo Soares acusou os socialistas de "ciumeira que não é com o Governo, é com os portugueses".
"Sinceramente, ficava melhor à oposição alguma responsabilidade e algum sentido de Estado, porque há alturas em que parabenizar o governo pelos resultados que apresenta não lhes fica mal, nem coram de vergonha, é uma questão só de atitude e de responsabilidade", disse.
Hugo Soares foi questionado se estes resultados afastam, em definitivo, a necessidade de um Orçamento Retificativo.
"Como sabem, estes resultados reportam o ano de 2025, nada têm a ver com a execução orçamental do ano de 2026. Sobre isso, o ministro das Finanças e o primeiro-ministro têm dito várias vezes que, para já, não há a perspetiva de vir a ser necessário um orçamento retificativo, mas o Governo analisará, a par a passo, as necessidades da despesa pública e, eventualmente, de ter que apresentar ao parlamento um orçamento retificativo", disse.
Também em declarações aos jornalistas no parlamento, o líder parlamentar do CDS-PP -- o outro partido que sustenta o Governo, além do PSD -- considerou que "é um magnífico resultado do país, dos portugueses, deste Governo e desta maioria da AD".
"É o terceiro excedente orçamental consecutivo que acontece pela primeira vez na história da democracia portuguesa e é um resultado que mostra um enorme rigor orçamental e o sucesso das políticas protagonizadas por este Governo e por esta maioria", defendeu.
Paulo Núncio considerou também que "o país está mais preparado para responder a crises".
"Este resultado dá-nos espaço, dá-nos confiança para responder não só neste momento às dificuldades que as famílias e as empresas enfrentam, mas também dá-nos confiança para que o Governo possa ter capacidade de apresentar novas medidas para responder a desafios que possam ocorrer no futuro", indicou.
"O Governo já manifestou, dentro da sua prudência orçamental, que se houver um agravamento da crise, designadamente por efeito de crises inflacionárias, que o Governo está preparado para melhorar e aprofundar as medidas de apoio às famílias e às empresas. E isso só é possível porque as contas públicas estão equilibradas", assinalou também.
Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
"O saldo do setor das Administrações Públicas (AP) manteve-se positivo, fixando-se em 0,7% do PIB no ano terminado no 4.º trimestre de 2025 (0,6% no final de 2024), mais 0,5 p.p. (pontos percentuais) do que o observado no trimestre anterior", indicou o INE.
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