Líder comunista acusou ainda o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de tentar colocar o país na Liga dos Campeões "no que diz respeito à compressão sobre os salários e ao aumento do horário de trabalho não pago.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou este sábado "muito aquém" do necessário as medidas aprovadas na sexta-feira pelo Governo para fazer face ao aumento dos combustíveis devido à guerra no Médio Oriente.
"O Governo avança com um conjunto [de medidas] de 150 milhões de euros, o que corresponde a 10 dias daquilo que é o lucro da banca no ano anterior. E, portanto, já se percebe a dimensão, por um lado, do lucro [da banca], e por outro da insuficiência daquilo que o Governo avança. Para quem recebe é importante, mas é muito aquém daquilo que era necessário", classificou hoje Paulo Raimundo.
O secretário-geral do PCP, que falava à margem da manifestação nacional de jovens trabalhadores, convocada pela CGTP-IN, criticou que as medidas apresentadas não ataquem as "margens de lucro dos combustíveis, dos alimentos, das grandes distribuidoras e da energia".
"Nós não admitimos que a fatura suba sempre para os mesmos, só para o povo, só para a juventude. [Não admitimos] que o Governo baixe impostos e que as margens de lucro nunca, nunca, nunca, nunca sejam atacadas", atirou, apelando a que "o povo se idigne".
O líder comunista acusou ainda o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de tentar colocar o país na Liga dos Campeões "no que diz respeito à compressão sobre os salários (...) e ao aumento do horário de trabalho não pago".
No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, na sexta-feira, Luís Montenegro explicou que as medidas tomadas pelo Governo significam cerca de 150 milhões de euros por mês de apoio na área dos combustíveis.
Além da manutenção do desconto no ISP, em vigor desde 09 de março, o Governo aprovou na sexta-feira novos apoios para vigorarem durante três meses, entre 1 de abril e 30 de junho, para o gasóleo profissional utilizado pelos transportes de mercadorias, um apoio extraordinário aos setores agrícola, florestal, das pescas e aquicultura, apoios às associações humanitárias de bombeiros e às empresas de táxis e um pagamento único às Instituições Particulares de Solidariedade Social.
Montenegro salientou que é "fundamental gerir com equilíbrio, com responsabilidade e com prudência" estes apoios, uma vez que não se sabe o impacto e a duração da guerra no Médio Oriente.
"Não desequilibrar as contas públicas, para não deitarmos fora o nosso esforço coletivo de anos", apelou.
Na sua intervenção inicial, Luís Montenegro referiu-se aos dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de que Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo, e "pela primeira vez em 16 anos, a dívida pública ficou abaixo de 90% do PIB, mais precisamente 89,7%"
"Estes resultados, que reforçam o superávite de 0,6% de 2024, foram obtidos num ano em que reduzimos os impostos às famílias, concretamente mais de 1.000 milhões de euros em sede IRS", destacou.
O primeiro-ministro recorreu mesmo a uma metáfora futebolística para qualificar a situação económico-financeira do país: "Estamos na Liga dos Campeões da estabilidade económica e financeira da Europa", afirmou.
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