Secretário-geral do PCP compromete-se a apresentar uma resposta de alternativa às políticas do executivo.
O secretário-geral do PCP afirmou esta sexta-feira que o Governo "só merece censura" através de todos os instrumentos disponíveis, comprometendo-se a apresentar uma resposta de alternativa às políticas do executivo.
"Um Governo assim que está a desmantelar o país e a entregá-lo às parcelas aos grupos económicos, aos grandes interesses, este Governo só merece censura, esta política só merece censura", afirmou, em declarações à Lusa durante uma visita aos Bombeiros Voluntários de Sacavém, em Loures.
Contudo, Raimundo não esclareceu se o PCP, ao falar de censura, admite avançar com uma moção de censura ao executivo, afirmando apenas que o partido está a exercer "todos os dias" a "maior censura possível" e que, para isso, o partido recorre "a todos os instrumentos que tem ao dispor".
Para o líder comunista, a atuação do partido deve combinar a "censura a esta política" com a "apresentação da alternativa", garantindo que esse é o empenho do PCP perante um Governo que acusou de estar a "desmantelar o país e a entregá-lo, às parcelas, aos grupos económicos e aos grandes interesses".
Questionado sobre as medidas para o arrendamento anunciadas na quinta-feira pelo Governo, Paulo Raimundo defendeu que, mais do que serem submetidas à apreciação do Parlamento, devem ser retiradas pelo executivo.
O secretário-geral do PCP insistiu que as alterações anunciadas representam uma "aceleração dos despejos" e poderão deixar milhares de pessoas, incluindo idosos, na rua, por incapacidade de suportar o aumento das rendas.
Raimundo considerou "completamente rídiculo" o argumento de que as medidas permitirão libertar casas para o mercado de arrendamento, defendendo que o resultado será sobretudo o agravamento dos preços.
"O problema das rendas em Portugal não são as rendas que estão congeladas. O problema das rendas em Portugal é o valor exorbitante inalcançável para a maioria das pessoas", afirmou, defendendo que o Governo devia "fazer tudo para fixar as rendas e torná-las mais acessíveis".
Durante a visita aos Bombeiros Voluntários de Sacavém, o secretário-geral do PCP defendeu também um financiamento regular e estável para as associações humanitárias, bem como a valorização das carreiras e condições de trabalho dos bombeiros.
"Batemos todos palmas aos bombeiros, quando há os incêndios, quando há a resposta, quando há as cheias, quando há a resposta, batemos todos palmas. Mas convenhamos que esta gente precisa de ser valorizada não é pelas palmas, é pelos salários, é pelas carreiras, é pelas condições de trabalho, pelos equipamentos que têm para responder", frisou.
Sobre a atual época de incêndios, Raimundo insistiu que continua muito material combustível para recolher nas florestas, em particular na região Centro, na sequência das tempestades do início do ano.
Embora reconhecendo que o Governo já retirou parte desse material, o líder comunista afirmou que cerca de dois terços continuam por recolher e defendeu a mobilização de mais meios públicos para reduzir o risco de incêndio.
"O combustível está lá todo para queimar", avisou, acrescentando que, apesar de não ser "humanamente possível" remover todo o material das florestas, seria possível retirar "muito mais" do que foi retirado até agora.
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