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Raimundo diz que PCP está "destinado a crescer" e salienta papel do partido nos avanços do país

Internamente, Raimundo considerou que Portugal está nas mãos dos grupos económicos das multinacionais, "às ordens de Bruxelas" e é "um país submisso ao imperialismo norte-americano e à NATO".

07 de março de 2026 às 00:51

O secretário-geral do PCP disse esta noite que o partido, que celebra o seu aniversário, está "destinado a crescer" e considerou que não houve "um único avanço durante estes 105 anos em que os comunistas portugueses não se tenham envolvido".

Perante o auditório esgotado no Fórum Lisboa, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, encerrou o comício do 105.º aniversário do partido com um discurso de 35 minutos que começou por uma revisitação do "longo percurso de intervenção e luta" dos comunistas, cuja "imensa e inigualável história", disse, "se funde com a do povo" português.

"Um partido novo e um partido de novo tipo, com princípios de funcionamento profundamente democráticos, baseados no desenvolvimento criativo do centralismo democrático", acrescentou, enfatizando depois o marxismo-leninismo, base teórica do partido, como "concepção materialista e dialética do mundo, instrumento de análise e guia para a ação".

Sublinhando a "superação do capitalismo" e a "construção de uma sociedade nova, o socialismo e o comunismo" como "objetivo supremo" da ação do partido, o secretário-geral do PCP afirmou não haver "um único avanço durante estes 105 anos em que os comunistas portugueses não se tenham envolvido".

"Foi assim na resistência heroica e no derrube do fascismo. Foi assim na Revolução de Abril e em todas e em cada uma das suas conquistas. E é assim hoje, na resistência ao processo contra-revolucionário e na luta que aí está e que se impõe em defesa dos direitos, das liberdades, da soberania nacional e da paz", enumerou.

Paulo Raimundo disse que o partido que lidera intervém, a nível internacional, "num momento particularmente exigente" com o "capitalismo a tornar evidente a sua natureza, que se expressa na ação imperialista com toda a violência" como se vê, acrescentou, na Palestina, Ucrânia, Venezuela, em Cuba e no Irão.

Internamente, Raimundo considerou que Portugal está nas mãos dos grupos económicos das multinacionais, "às ordens de Bruxelas" e é "um país submisso ao imperialismo norte-americano e à NATO".

"Um país com uma política em curso que acentua a exploração, a desigualdade, a concentração da riqueza e o roubo e transferência de recursos públicos para os grupos económicos", lamentou.

Dirigindo-se às centenas de militantes na sala, o líder do PCP garantiu que o quadro de luta enfrentado pelo partido é conhecido, bem como os "meios do inimigo", mas traçou as diferenças entre os dois lados.

"Eles com muitos e poderosos meios e nós os meios decisivos. Nós com a força dos trabalhadores e procurando a construção da sua unidade e eles a procurar dividir, isolar e fragilizar os trabalhadores. Nós com a sabedoria do povo e eles com a tentativa da reescrita da história e do domínio ideológico. Nós com a criatividade da juventude e eles em busca do seu isolamento do seu individualismo", elencou.

Raimundo alegou ainda que o outro lado da "luta de classes" travada pelo PCP está há 105 anos concentrada em destruir o partido e frisou que "não há silenciamento mais ou menos organizado" que apague a ligação dos comunistas aos trabalhadores, ao povo e à juventude.

Perto do fim, o líder do PCP proclamou que se podem decretar "todas as sentenças" sobre o declínio do partido, que isso não impedirá os comunistas de crescerem, por ser esse o seu destino.

"Podem decretar-nos todas as sentenças que um partido assim como o nosso, dos trabalhadores e ao serviço dos trabalhadores, é um partido com futuro e está destinado a crescer, a reforçar e a alargar a sua intervenção", atirou.

Fundado a 06 de março de 1921, o PCP, o mais antigo partido político português, com 105 anos, 47 dos quais na clandestinidade durante o Estado Novo, celebrou esta noite o seu aniversário num comício sob o lema "Projeto. Luta. Confiança.".

Além da intervenção do secretário-geral, a noite contou também com um momento de declamação de poesia e intervenções dirigentes da JCP e dos órgãos regionais do partido.

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