Rio pede confiança ao PSD a pensar nas eleições

Militantes ouvidos pelo CM creem que Rio reforçará posição nas urnas após crise interna.
Por Wilson Ledo|14.01.19

Quando recusou, no sábado, o desafio de Luís Montenegro para diretas no PSD, Rui Rio tinha dois outros horizontes em mente: as eleições europeias e legislativas.

Ao avançar para diretas, a escolha do novo líder do PSD aconteceria no final de abril ou início de maio, um prazo considerado muito apertado para definir uma estratégia para as eleições europeias. Assim, ao convocar um Conselho Nacional (CN) extraordinário e votar uma moção de confiança, Rio encurta os prazos e procura evitar danos maiores nos resultados eleitorais.

Fontes do partido ouvidas pelo CM explicam que Rio - que este domingo assinalou um ano à frente do PSD - já estava à espera do desafio de Montenegro. Agora, o atual presidente espera que o possível voto de confiança seja encarado como um sinal para o próprio País.

Ao CM, vários militantes sociais-democratas disseram crer que Rio acabará por reforçar a sua posição nas urnas, tanto nas europeias como nas legislativas, caso o clima de guerrilha interna no PSD seja ultrapassado. A única preocupação é se, mesmo depois do CN, continuar a contestação iniciada por Montenegro, que é hoje ouvido pelo Presidente da República. "Se a crise politica for bem resolvida, podem limitar-se os danos. A liderança de Rio pode sair reforçada", diz um dos militantes. Posição semelhante tomou publicamente Silva Peneda, um dos históricos do partido.

Entretanto, já começaram os contactos informais para procurar convencer os membros do CN indecisos, tanto da parte dos apoiantes de Rio como de Montenegro. Contudo, essa ‘ação de charme’ só se acentuará a partir do momento em que estiver marcada a data do encontro. Segundo as mesmas fontes, o discurso de Rio no sábado terá caído bem a alguns setores do partido que não eram necessariamente apoiantes do atual presidente.

SAIBA MAIS
136
Conselho Nacional do PSD é composto por 136 membros. Se todos exercessem o seu direito de voto, Rio precisaria de 69 votos para ver aprovada a moção de confiança. O presidente deste órgão já recebeu o pedido de convocação de Rio e anunciará a data no início da semana.

Conselho não derruba Rio
Segundo os estatutos, o Conselho Nacional só tem poder para destituir a atual direção do PSD e não o líder do partido. Contudo, seria pouco provável que Rui Rio se mantivesse no cargo sem manter a sua equipa.

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