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Rui Rio alvo de críticas por esconder propostas para a Justiça

Ex-ministra Paula Teixeira da Cruz confronta líder social-democrata sobre iniciativa.

26 de outubro de 2018 às 01:30

As propostas do PSD para a reforma da Justiça, um documento com cerca de 50 páginas elaborado por elementos próximos de Rui Rio, estão a gerar mal-estar entre os sociais-democratas, já que apenas foram entregues aos líderes partidários de PS, PCP, Bloco e CDS. Ontem, na reunião da bancada parlamentar, a ex-ministra Paula Teixeira da Cruz confrontou Rio com o facto de os deputados sociais-democratas não terem tido acesso às propostas, apurou o CM

Segundo fontes parlamentares, a resposta de Rio foi enviesada, tendo-se justificado com o facto de o tema não fazer parte da ordem de trabalhos daquela reunião da bancada. Depois da insistência de Paula Teixeira da Cruz, Rio acabou por dizer que "é óbvio que os deputados do PSD vão ter acesso ao documento", mas tal não acontecerá já. O CM tentou, sem sucesso, contactar a antiga ministra da Justiça.

Segundo informação recolhida pelo CM, as medidas para a Justiça são "um documento de trabalho feito por um grupo muito restrito de pessoas" próximas de Rio. "A ideia era criar algo que todos os líderes partidários pudessem apresentar, não sentindo que iam a reboque do PSD", diz ao CM fonte da direção, adiantando que "só assim se consegue fazer uma verdadeira reforma da Justiça" no País, com medidas consensualizadas à esquerda e à direita.

"Foi feito de forma quase sigilosa de forma a não ser visto como um documento com a marca do PSD", adianta uma outra fonte, lembrando que "se fosse uma iniciativa vista como partidária, o mais provável era que caísse imediatamente por terra". "O objetivo do sigilo não era esconder do partido, mas evitar que fosse visto como uma marca do PSD", sublinha.

Pacto secreto não entusiasma setor nem partidos

O documento que Rio queria que fosse debatido em sigilo com PS, PCP, BE e CDS tem colhido pouco entusiasmo. E o setor da Justiça tem feito críticas a medidas nele inscritas, como o fim da figura dos procuradores-gerais distritais e a transformação do Tribunal de Contas num órgão mais político. Manuel Soares, da Associação Sindical de Juízes, é um dos que contesta as medidas.

O CM sabe que as propostas não foram apresentadas a nenhum órgão do partido, tendo a comissão política nacional sido também deixada de fora da iniciativa.

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