Presidente do PSD em entrevista exclusiva à CMTV após debate com Costa.
Rio afasta acordo para Bloco Central e afirma que deixava falir a TAP: 'Eram milhares no desemprego, mas com apoios sociais'
Após um debate 'quente' com António Costa, esta quinta-feira, Rui Rio deu um entrevista exclusiva à CMTV. O presidente do PSD e candidato social-democrata às eleições legislativas de 30 de janeiro respondeu às perguntas de José Carlos Castro no CM Jornal das 20h00 desta sexta-feira e assumiu considerar ter sido o vencedor do debate frente a Costa.
"Penso que sim, mas não quero ser fanfarrão", brincou, adiantando que "os debates são importantes mas estão longe de ser decisivos". O social-democrata não deixou de recordar as acusações lançadas a Costa no frente-a-frente de ligações a anteriores governos do PS. "Não podemos deixar de olhar para todo um trajeto que atrasou Portugal", considerou.
Questionado sobre o que fará se o PSD perder as eleições, Rio afirma: "Devemos respeitar o resultado e em nome da governabilidade do País, os que perdem devem estar na disponibilidade de ajudar à governabilidade do País". Apesar disso, Rio nega aprovar o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo. "Como é que António Costa apresenta aquele orçamento, se foi chumbado?", questionou, admitindo que voltaria a chumbar o documento.
Sobre a falência da geringonça e a crise política, o social-democrata considerou: O problema era entre ele [Costa] e o PCP, entre ele e o Bloco. Se eu ganhar as eleições, sem maioria absoluta, o resultado mais provável, aquilo que espero é que os partidos que me estão mais próximos, negoceiem comigo. Estou na mesma disposição se for o caso contrário, uma vitória do PS sem maioria absoluta".
Rio admitiu uma preferência pelas negociações com os partidos à direita, afastando um hipótese de Bloco central com o PS. "Se somar votos com CDS e IL e derem mais de metade, opto por negociar com esses partidos em primeiro lugar", admitiu, afastando no entanto acordos com o IL em temas como a privatização da RTP, Segurança Social ou da CGD.
Admitindo que não mexia nos escalões do IRS, deu uma solução para a subida dos preços dos combustíveis: "O que se pode fazer é mexer nos impostos que incidem. Pode-se dar uma situação de degradação de tal ordem por via desse aumento e poderá ter de se fazer uma inflação estratégica", explicou.
"É preciso simplificar todo o sistema fiscal e reduzir a carga fiscal", sintetizou sobre o programa social-democrata. "A atitude com que vou para o governo e ter uma predisposição reformista também no quadro do Fisco", disse Rui Rio.
Sobre a Justiça, Rui Rio defendeu que é "o setor é o que menos se modernizou desde o 25 até hoje. Nós temos que modernizar a Justiça, e temos de introduzir pequenas e médias reforças que juristas e advogados sabem que é mudar em termos processuais para agilizar os tribunais".
Relativamente às mudanças no Conselho Superior do Ministério Público, Rui Rio declarou que "os Conselhos superiores não dão sentenças nem conduzem a investigações", sublinhando que não quer colocar políticos nestes lugares, como afirmou Costa, mas sim "representantes da Sociedade Civil"
Ainda, sobre a TAP, Rui Rio esclareceu que "deixava falir" a companhia. "Eram milhares de pessoas no desemprego, mas com apoios sociais. A TAP tem um historial permanente de prejuízos. Se for primeiro-ministro vamos procurar, com calma, para vendermos bem, vamos capitalizar a TAP e obviamente que temos que a privatizar", terminou.
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