Ex-líder do PSD defendeu que, da mesma forma que a sociedade "muda muito e rapidamente", também é necessário fazer reformas.
O ex-líder do PSD, Rui Rio, afirmou esta quarta-feira em Bragança que o Governo não tem vontade, nem coragem para fazer reformas no sistema político e na justiça, que considera urgentes para a democracia e para combater a corrupção.
"A classe política (...) não tem tido a vontade e a coragem de as fazer, porque tem medo de fazer essas reformas e mexer com interesses instalados", afirmou Rui Rio, aos jornalistas, no âmbito de uma palestra sobre "reformar o regime" e o "retrato da crise" do regime democrático.
"Não tem este [Governo], não teve o anterior e se calhar não tem o próximo também, porque isto é um problema de coragem e de mentalidade, não é um problema de estar lá o partido A, o partido B, ou o partido C", acrescentou.
Rui Rio está esta quarta-feira em Bragança, na XIX Conferência de Santo Condestável, onde retratou o estado atual da democracia e da necessidade das várias reformas, mas também respondeu às várias questões colocadas pelos presentes.
Rui Rio defende que, da mesma forma que a sociedade "muda muito e rapidamente", também é necessário fazer reformas.
"É fundamental uma reforma do sistema político, é absolutamente vital uma reforma da justiça, é fundamental uma reforma do estado, seja na vertente da forma como gerimos o Estado e os organismos públicos, que cada vez funcionam pior, seja da forma como governamos o estado, muito centralizado, precisamos de descentralizar, de desconcentrar, quiçá até de regionalizar", afirmou.
O ex-líder do Partido Social-Democrata apontou como uma das reformas urgentes a da justiça, para combater a corrupção, deixando farpas ao Ministério Público e à Polícia Judiciária, que diz não estarem a fazer o seu trabalho.
"Nós temos um Ministério Público, temos uma Polícia Judiciária, estão sempre a dizer que há corrupção, que é preciso combater a corrupção, mas quem é que tem de combater a corrupção em primeiro lugar? São eles. Então, ao dizerem isso, estão deles logo a confessar que tem sido um falhanço essa luta, eles é que não conseguem. Deixam as coisas prescrever, deixam arrastar os processos anos e anos e então e agora? Querem desse ponto de vista criticar o poder político? O poder político quanto muito devia fazer a reforma da justiça já que os próprios não são capazes de se auto regular, auto reformar", apontou.
Por outro lado, Rui Rio considera que esta forma de Governação tem sido "responsabilidade" do eleitorado, que "empurra os políticos para aquela promessa imediata", contrariamente ao que acontecia há 50 anos, quando se "votava em modelos de sociedade".
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