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Seguro afirma que é preciso "cumprir Abril" na justiça social, dignidade do trabalho e verdade

Presidente da República alertou que "a liberdade não termina no dia em que se conquista".

24 de abril de 2026 às 22:43

O Presidente da República afirmou esta sexta-feira que "Portugal não precisa apenas de celebrar Abril", mas de "cumprir Abril, na justiça social, na dignidade do trabalho, no combate às desigualdades e na defesa da verdade".

"A democracia fragiliza-se quando se normaliza a indiferença, quando se tolera a mentira, quando se desvaloriza a participação", considerou António José Seguro, no início de um jantar promovido pela Associação 25 de Abril, na Estufa Fria, em Lisboa.

Na sua intervenção, o Presidente da República alertou que "a liberdade não termina no dia em que se conquista" e defendeu que "honrar Abril é escolher todos os dias estar à altura do país dos nossos sonhos e que ainda está por cumprir".

Por outro lado, a propósito do atual contexto geopolítico, António José Seguro apontou o 25 de Abril de 1974, o fim da guerra colonial e a experiência portuguesa de construção da democracia como "um recurso" e "um exemplo" em termos internacionais, "uma voz que o mundo precisa de ouvir, especialmente nestes momentos de escuridão".

Perante os militares de Abril presentes na sala, o chefe de Estado declarou: "Quando olho para os meus filhos e penso no Estreito de Ormuz, em Gaza, na Ucrânia, não sinto fatalismo, sinto responsabilidade. A mesma responsabilidade que estes homens e mulheres sentiram há 52 anos numa madrugada de Abril, e que os fez escolher o cravo em vez da espingarda".

"Nós, que recebemos esse presente, temos de o passar em frente, não só aos nossos filhos, mas ao mundo. A paz não é uma herança que se guarda, é uma tarefa que se renova. O 25 de Abril ensinou-nos que o impossível pode acontecer quando um povo decide não se resignar", acrescentou.

Neste jantar esteve também presente o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que entrou com António José Seguro na Estufa Fria e ficou sentado à mesma mesa do chefe de Estado, os dois separados pelo presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço. À chegada, nenhum deles prestou declarações à comunicação social, que saiu após as intervenções iniciais.

No início do seu discurso, o Presidente da República recordou que, na vila de Penamacor, onde nasceu e cresceu, no distrito de Castelo Branco, "o 25 de Abril chegou pelas notícias de televisão, pela boca dos vizinhos, pela rádio, pelos jornais e pelo ar que se passou a respirar nessa altura". Tinha, então, 12 anos.

"Com o 25 de Abril aprendi que há mudanças que demoram, mas que ficam connosco. Durante a minha juventude, em Penamacor, fiz várias coisas que moldaram a minha forma de ver o mundo. Escrevi e fundei um pequenino jornal e criei com amigos uma associação juvenil", referiu.

Depois, o chefe de Estado lembrou "o período de paz e prosperidade" que se viveu na Europa, até recentemente.

"Os meus filhos, nascidos já no século XXI, cresceram nesse dividendo. Para eles, a Europa sem fronteiras é natural, a guerra era algo dos filmes -- até deixar de ser", prosseguiu.

O Presidente da República nomeou os conflitos na Ucrânia e em Gaza e salientou o impacto da situação no Estreito de Ormuz no preço dos combustíveis, da energia e dos alimentos, mas quis terminar com uma mensagem de esperança, a partir do caso português, em que "um grupo de militares e um povo inteiro escolheram a paz em vez da guerra, a democracia em vez da força, o diálogo em vez das trincheiras".

"Se soubemos fazer isso para nós, temos a obrigação moral de ajudar a fazer isso para o resto do mundo. Não temos o maior exército, não temos sequer o maior Produto Interno Bruto (PIB), mas temos algo raro: a experiência de ter feito uma transição pacífica, de ter terminado uma guerra colonial sem uma guerra civil, de ter construído uma democracia a partir do zero e de ela ter resistido", sustentou.

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