Presidente da República sublinhou que "os países que souberem integrar estas tecnologias nas suas empresas e na sociedade sairão mais fortes", enquanto "os outros ficam na fila do supermercado".
O Presidente da República avisou esta segunda-feira que Portugal e a União Europeia não podem ter uma "atitude passiva" em relação à tecnologia e inteligência artificial, referindo que, em termos europeus, parece que ainda não se saiu do "mundo analógico".
Na sessão de encerramento da Grande Conferência Anual do Diário de Notícias, que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, António José Seguro falou da tecnologia, inteligência artificial e cibersegurança e referiu que "os países que souberem integrar estas tecnologias nas suas empresas e na sociedade sairão mais fortes", enquanto "os outros ficam na fila do supermercado", ou seja, são "países com o estatuto de um vulgar consumidor".
"No meu entender, este é um dos motivos por que Portugal e a União Europeia não podem ter uma atitude passiva. Não podem esperar anos para avançarem com um plano que visa recuperar anos de atraso. Com alguma ironia, é paradoxal a agilidade europeia, num mundo cuja velocidade é vertiginosa. Parece que ainda não saiu do mundo analógico", avisou.
Para o Presidente da República, a questão tecnológica não é apenas económica, mas "também política e civilizacional".
Seguro avisou que esta questão "agudiza os efeitos das mudanças no relacionamento entre os estados" e que não haver regras "pode ser um contexto fértil para a proliferação de novos instrumentos e redes tecnológicas com estratégias ofensivas".
"Por outro lado, vivemos numa era em que algoritmos influenciam as nossas escolhas. Talvez, mais grave, a desinformação é produzida em escala industrial e personalizada à medida de cada cidadão", apontou, considerando que a cibersegurança já não é um tema técnico, mas sim "uma dimensão central da soberania dos Estados".
É neste contexto de "desinformação industrial" que o Presidente da República considerou o jornalismo de qualidade como "um pilar crítico da democracia".
"Sem jornalismo livre não há escrutínio do poder, não há debate de qualidade, não há cidadãos com a informação de que precisam para decidir bem. A qualidade da nossa democracia depende, também, da qualidade do jornalismo que se faz e o país tem de aferir, com seriedade, o que quer fazer, os valores que deseja garantir, para ter um jornalismo livre e plural", sustentou.
O Presidente da República partilhou com a plateia uma experiência que fez com um modelo de linguagem, ao qual fez um pedido: "conta-me a verdade e só a verdade".
"A resposta que obtive foi sincera: 'a verdade, sem rodeios: sou um modelo de linguagem. Não sou uma pessoa, não tenho experiência nem uma vida fora desta conversa, e não sei com certeza se tenho algo a que se possa chamar sentimentos ou consciência'", leu.
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